A safra brasileira de café 2026/27 caminha para um resultado histórico. Pesquisadores do Cepea-Esalq, centro da USP em Piracicaba, registram condições climáticas favoráveis desde janeiro nas principais regiões produtoras do país.
As chuvas elevadas na primeira quinzena de março auxiliaram o enchimento dos grãos de arábica e o desenvolvimento final do robusta. Em Campinas (SP), janeiro encerrou com 339 milímetros — 79 mm acima da média histórica de 261 mm.
Projeção de safra recorde em 2026/27
Em boletim divulgado em fevereiro, o Cepea já sinalizava que a safra 2026/27 pode ser a primeira desde 2020/21 a ultrapassar 60 milhões de sacas no Brasil, somando arábica e robusta. O patamar é classificado pelo próprio centro como recorde, impulsionado sobretudo pelo café arábica.
Para o robusta, as expectativas iniciais eram mais modestas. Com o avanço das chuvas nos meses seguintes — mesmo que março registre precipitações menores do que janeiro e fevereiro —, agentes consultados pelo Cepea passaram a projetar colheita próxima à safra anterior, revisando para cima as estimativas da variedade.
Onde choveu mais
Os maiores acumulados foram registrados na Mogiana Paulista, no Cerrado Mineiro e no Sul de Minas. Em Marília (SP), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou 154,5 milímetros de chuva em fevereiro.
O contraste com dezembro é marcante: o Cepea alertou que o mês foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condições que podem comprometer a formação dos grãos e resultar em cafés chochos. A recuperação climática a partir de janeiro foi determinante para sustentar a perspectiva positiva da temporada.
Mercado aquecido e poder de compra ampliado
Após período de negociações restritas no mercado doméstico, as vendas do setor cafeeiro voltaram a aquecer na primeira quinzena de janeiro de 2026. O gatilho veio em 6 de janeiro, quando os contratos futuros de março na Bolsa de Nova York (ICE Futures) registraram alta de 1.450 pontos — movimento que elevou o volume comercializado no Brasil.
Com a virada do ano, produtores com necessidade de fazer caixa ampliaram a oferta e contribuíram para a retomada da liquidez. As cotações fecharam com o arábica a R$ 2,2 mil a saca e o robusta a R$ 1,2 mil — valores considerados positivos pelo Cepea e alinhados com os patamares desejados pelos produtores.
O poder de compra dos cafeicultores paulistas também melhorou de forma expressiva. Em outubro de 2025, eram necessárias 1,16 sacas de arábica para adquirir uma tonelada de fertilizante — ante 1,44 sacas em outubro de 2024. A média histórica levantada pelo Cepea desde 2011 é de 2,6 sacas por tonelada de adubo, o que coloca o momento atual como excepcionalmente favorável para o setor.