Política

Documento do tarifaço dos EUA cita Trump mais de dez vezes

Fazenda vê determinação de Trump repetida no documento do USTR como sinal político
Documento do tarifaço cita Trump diversas vezes, com Lula e bandeira dos EUA simbolizando tensão comercial Brasil-EUA

O Ministério da Fazenda identificou que o documento técnico do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o tarifaço de 25% contra o Brasil cita a “determinação específica” de Donald Trump mais de dez vezes.

A repetição, avaliada pela pasta, reforça a percepção de que o processo teve motivação política. O novo imposto passa a valer em 22 de julho, após investigação aberta no ano passado por supostas práticas comerciais desleais do Brasil.

Trecho aparece já na primeira página

A menção à “determinação específica” do presidente aparece logo na primeira página do documento técnico, elaborado pelo USTR, órgão responsável pela investigação e pela proposta do tarifaço. Segundo o governo brasileiro, a formulação se repete ao longo de todo o texto.

O processo contra o Brasil foi aberto no ano passado a pedido de Trump, sob a justificativa de práticas comerciais desleais que restringiriam o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro há décadas. Após a apuração, o USTR recomendou a sobretaxa a milhares de produtos brasileiros, confirmada pelo governo americano na quarta-feira (15). Além da menção recorrente a Trump, o documento do USTR lista outras justificativas para a sobretaxa, como o Pix, decisões do STF contra big techs e o combate à corrupção no país.

Comparação com outros casos

A Fazenda comparou o documento do caso brasileiro com outros processos semelhantes conduzidos pelo USTR. Em investigações anteriores não foram encontradas menções a determinações presidenciais. Já em processos contra a China, expressões parecidas apareceram, como “orientação do presidente” — casos que resultaram nas tranches tarifárias de 2018-2019 e em uma investigação de 2025 sobre cumprimento de acordo comercial.

Repercussão política

A leitura de que o processo teve motivação política já vinha sendo reforçada pelo Planalto. O Palácio do Planalto acusa Trump de usar o tarifaço para beneficiar o pré-candidato Flávio Bolsonaro na disputa eleitoral de 2026.

Para a Fazenda, como o USTR pode abrir investigações por conta própria, o “carimbo” de determinação da Casa Branca reforça que a questão não é técnica, mas político-presidencial. A pasta avalia ainda que o uso frequente da expressão pode servir para proteger técnicos do órgão de eventuais questionamentos administrativos, comuns no serviço público em apurações sobre condutas de servidores. O governo brasileiro já havia rebatido ponto a ponto os argumentos técnicos do USTR sobre Pix, STF e corrupção, mesma linha de defesa usada agora para questionar o viés político do documento.

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