Economia

Krugman diz que tarifas de Trump vão fracassar e fortalecer Lula

Nobel de Economia defende o Pix e acusa Trump de proteger oligarcas dos EUA
Retrato de Trump e Lula lado a lado simboliza as tarifas de Trump contra o Brasil

O economista americano Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia em 2008, afirmou nesta segunda-feira (20/7) que as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil não vão funcionar e devem fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em artigo publicado no Substack, Krugman diz que usar tarifas para punir o país por suas “conquistas monetárias” – referência ao sucesso do Pix – está fadado ao fracasso. As tarifas, confirmadas na semana passada, entram em vigor na próxima quarta-feira (22/7).

Por que as tarifas não vão funcionar, segundo Krugman

Para o economista, o governo Trump tenta punir o Brasil pelo sucesso do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. “Por que é injusto um país oferecer a seus cidadãos uma maneira melhor de fazer compras e pagar contas?”, questiona Krugman no texto.

O professor da Universidade da Cidade de Nova York também associa a medida à disputa política interna brasileira. Segundo ele, a Casa Branca ainda tenta punir o Brasil por ser “uma verdadeira democracia” – ao contrário dos Estados Unidos, que não processaram nenhum ex-presidente, o Brasil julgou Jair Bolsonaro por tentar articular uma revolta após perder a eleição.

A defesa do Pix feita por Krugman não é isolada. Antes mesmo de o tarifaço ser confirmado, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já rebatia as críticas dos EUA ao sistema, classificado pelo USTR, órgão de comércio americano, como uma prática “irracional”.

No artigo, Krugman compara a hostilidade de Trump ao Pix com a postura do presidente em relação à política energética. “Este governo se opõe ao progresso sempre que ele contraria os interesses e a ideologia dos oligarcas que investiram dinheiro na campanha de Trump e no seu bolso”, escreve. Ele cita ainda um relatório do Fed, o banco central americano, de 2022, que descreve o Pix como uma moeda digital do Banco Central do Brasil “análoga ao dinheiro de papel”.

Ameaça ao dólar e o argumento de Monica de Bolle

Segundo Krugman, o governo Trump também estaria preocupado porque o Pix e sistemas de pagamento semelhantes desafiam a hegemonia internacional do dólar. Para o economista, porém, o Brasil é um ator “pequeno demais” para provocar impacto no sistema global de pagamentos – o risco real, argumenta, viria se o Banco Central Europeu lançar um euro digital em 2029, como planejado, o que poderia deslocar parte das transações hoje feitas em dólar.

Krugman questiona por que os Estados Unidos não avançam com um dólar digital próprio. “Não porque seja uma má ideia – como o Brasil demonstrou, seria uma ótima ideia. Mas existem poderosos grupos de interesse que se opõem a qualquer iniciativa desse tipo”, escreve.

Na conclusão do texto, o Nobel de Economia recorre ao argumento da economista brasileira Monica de Bolle, para quem o tarifaço fortalece a posição do governo brasileiro. Em entrevista à BBC News Brasil na semana passada, De Bolle avaliou que o impacto das tarifas deve ser restrito – leitura que dialoga com análises do Tropiquim sobre o salto do Brasil para a 2ª posição no ranking de países mais tarifados pelos EUA e sobre os riscos fiscais que o tarifaço impõe ao país às vésperas da eleição de 2026.

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