A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou nesta terça-feira (21) que o setor é contra a reciprocidade tarifária brasileira sobre produtos importados dos Estados Unidos.
A posição foi apresentada em reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda).
O encontro integra a rodada de reuniões que o governo iniciou com os setores mais afetados pela tarifa de 25% aplicada pelo governo de Donald Trump, que passa a valer nesta quarta-feira (22).
Reunião faz parte de rodada com setores afetados
O encontro com a Abimaq integra a série de reuniões que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) iniciou nesta terça-feira com os setores mais afetados pelo tarifaço americano. A rodada de conversas com o governo começou nesta terça-feira e é coordenada pelo MDIC e pelo vice-presidente Alckmin, com o objetivo de mapear medidas para reduzir os impactos da taxação sobre a economia brasileira.
Após a reunião, os representantes do setor de máquinas e equipamentos defenderam a ampliação do Brasil Soberano, programa que prevê linhas de crédito com condições facilitadas para empresas atingidas pela tarifa. O governo já havia sinalizado a criação de um programa de apoio às empresas afetadas dias antes do encontro e indicou que pretende reforçar a iniciativa.
A Abimaq também pediu ao governo a adoção de medidas para ampliar a competitividade da indústria nacional diante do novo cenário comercial.
A tarifa de 25%
Na semana passada, o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelos Estados Unidos para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. Uma extensa lista de produtos, no entanto, foi excluída da sobretaxa.
Governo classifica tarifa como marco lastimável
O governo brasileiro reagiu à decisão americana afirmando que ela não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Em nota, o governo Lula classificou a medida como um “marco lastimável” na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica em resposta ao tarifaço.
A recusa da Abimaq à reciprocidade tarifária contrasta, no entanto, com os planos do próprio governo. O Brasil já estuda uma retaliação classificada como cirúrgica contra setores americanos, com base na Lei da Reciprocidade, para evitar medidas que prejudiquem a própria economia brasileira — o chamado “tiro no pé”.
A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros começa a valer nesta quarta-feira (22), um dia após a reunião entre o setor de máquinas e equipamentos e o governo federal.
