A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou nesta quarta-feira (15) a condução do governo brasileiro nas negociações com os Estados Unidos, horas depois de Washington confirmar nova sobretaxa sobre produtos nacionais.
Segundo a entidade, a medida foi motivada por ruídos diplomáticos, críticas personalistas e desalinhamento político com Washington — e poderia ter sido evitada com uma condução mais técnica e pragmática das negociações.
A CNI reforçou a crítica ao lembrar que a tarifa de 25% chega após as exportações brasileiras aos EUA caírem 13% desde 2025, enquanto a FIEMG alertou para risco de perda de fornecedores e margens menores.
De acordo com a Fiesp, a decisão dos Estados Unidos é especialmente prejudicial por atingir exclusivamente o Brasil, o que reduz a competitividade das exportações nacionais diante de concorrentes globais. A entidade avalia que o desgaste político pesou mais que argumentos econômicos, embora a tarifa de 25% que entra em vigor em 22 de julho tenha poupado itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose.
Em nota, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que o mercado americano é o principal destino dos produtos brasileiros de alto valor agregado e que a nova tarifa se soma a uma ‘crônica realidade’ de alta carga tributária e juros elevados enfrentada pelas exportadoras.
CNI registra queda de 13% nas exportações
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que as exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 13% desde 2025, equivalente a US$ 2,6 bilhões, puxadas por produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e pasta química de madeira. Segundo a entidade, 20 dos 27 estados brasileiros tiveram queda nas vendas ao mercado americano no primeiro semestre de 2026, com destaque para Santa Catarina e Paraná, ambos com retração de 32,9%.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também reagiu à sobretaxa e alertou para riscos como substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais. Para a entidade, o impacto real vai depender da lista de produtos atingidos e do tratamento dado a concorrentes de outros países.
Dias antes do anúncio da tarifa, a própria Fiesp já havia levado representantes a Washington numa ofensiva de lobby descrita como diplomacia empresarial para tentar deter as tarifas de Trump. O tom duro da entidade contrasta, porém, com a leitura do Ministério da Fazenda, que classificou como reduzido o impacto macroeconômico das tarifas para o Brasil.
Tanto Fiesp quanto CNI e FIEMG defendem o reforço das negociações bilaterais e pedem regras claras para contratos já firmados e cargas em trânsito, de modo a reduzir incertezas enquanto a nova tarifa começa a valer.
