O chanceler Mauro Vieira afirmou nesta quinta-feira (16) que a nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros não tem justificativa econômica e resulta de motivação política.
Durante coletiva no Palácio Itamaraty, em Brasília, o ministro das Relações Exteriores classificou a medida como uma tentativa de interferência no Judiciário brasileiro.
Segundo Vieira, o Brasil manteve 11 contatos diretos com o secretário de Estado Marco Rubio e o representante de Comércio Jamieson Greer desde antes do tarifaço original, anunciado em abril de 2025.
Negociação começou antes do tarifaço original
Vieira detalhou que o Brasil negocia com os Estados Unidos desde antes do anúncio do tarifaço original, em 2 de abril de 2025, quando a tarifa aplicada ao país era de apenas 10%, o menor patamar adotado pelos EUA na época. Na ocasião, o chanceler já havia conversado por telefone com Greer sobre o tema.
O ministro lembrou ainda a carta em que o presidente Donald Trump ameaçou impor novas tarifas ao Brasil e determinou a abertura da investigação que resultou na taxa de 25%. O Itamaraty já havia detalhado que o país promoveu mais de 30 contatos com os EUA ao longo do último ano de negociações, dos quais 11 diretamente com Rubio e Greer — número citado por Vieira nesta quinta.
Segundo o chanceler, desde o início o presidente Lula buscou o diálogo e se mostrou disposto a negociar qualquer tema com Washington. Vieira classificou as novas tarifas como “inaceitáveis” e afirmou que o que incomoda o governo americano é o fato de o Brasil não ter aceitado exigências consideradas irrazoáveis, como a abertura total e exclusiva de setores estratégicos da economia nacional aos interesses dos Estados Unidos.
Governo brasileiro estuda resposta
A nova tarifa de 25% foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após um ano de investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado para apurar barreiras comerciais em outros países. A medida, que traz uma extensa lista de produtos isentos, entra em vigor em 22 de julho.
Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um “marco lastimável” na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. Horas antes da coletiva de Vieira, Lula já havia convocado ministros ao Planalto para alinhar a resposta oficial do governo ao novo tarifaço.
As críticas de Vieira também respondem a declarações do secretário de Estado americano. Um dia antes, Marco Rubio havia atribuído a Lula a culpa pelo tarifaço, dizendo que o presidente “priorizou seu próprio ego” em vez de fechar um acordo com Washington — fala classificada por Vieira como um ataque “grosseiro” a um chefe de Estado de país amigo.
