A taxa de abandono do esquema vacinal infantil — quando a criança recebe a primeira dose, mas não completa o esquema — saltou de 4% em 2024 para 12% em 2025, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (15) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Unicef.
O levantamento aponta queda na cobertura global contra difteria, tétano e coqueluche, mas também destaca o Brasil como um dos países com maior avanço na redução de crianças sem nenhuma vacina.
Queda na cobertura acende alerta global
A cobertura vacinal para a terceira dose da vacina tríplice bacteriana (DTP3) caiu de 90% para 86% entre 2024 e 2025, recuo que se repete na primeira dose contra o sarampo. O cenário reforça a preocupação com o abandono do esquema vacinal infantil, já que cada vez mais crianças iniciam a imunização, mas não a concluem.
Por outro lado, o relatório da OMS e do Unicef mostra avanço no acesso inicial à vacina: o número de crianças em situação de “dose zero” — que não receberam nenhum imunizante — caiu de 14,2 milhões em 2024 para 13,5 milhões em 2025.
No mundo, a cobertura da primeira dose da DTP subiu de 89% para 90%, e a terceira dose passou de 84% para 85%, com redução de 745 mil crianças sem nenhuma dose em um ano. Ainda assim, 6,2 milhões de crianças começaram o esquema vacinal e não o completaram, e 107 países atingiram a meta de 90% de cobertura para a terceira dose da DTP, estabelecida pela Agenda de Imunização 2030.
Brasil lidera avanços na América Latina
O Brasil teve o segundo maior aumento mundial na cobertura da primeira dose da DTP, com alta de 19 pontos percentuais, atrás apenas da Líbia. O país também registrou a terceira maior redução absoluta de crianças sem nenhuma dose no mundo, com 204 mil crianças a menos nessa condição.
Na região das Américas, o desempenho brasileiro foi ainda mais expressivo: o país teve a maior queda absoluta no número de crianças sem nenhuma vacina. Depois de liderar esse ranking em 2021, com 687 mil crianças sem nenhuma dose, o Brasil caiu para a nona posição em 2025, com 50 mil casos.
O país também se destaca na vacinação contra o HPV: em 2025, a cobertura da dose final entre meninas chegou a 86%, atrás apenas de Cuba (94%) e à frente de países como Canadá e Estados Unidos. Esse desempenho ganhou reforço recente: o Ministério da Saúde prorrogou até dezembro de 2026 a campanha de resgate voltada a adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não se vacinaram contra o HPV.
O avanço brasileiro na cobertura vacinal infantil também vem acompanhado da ampliação do calendário nacional: desde novembro de 2025, o SUS passou a oferecer a vacina contra o VSR no pré-natal, reforçando a proteção aos bebês nos primeiros meses de vida.