O presidente Lula abriu seu discurso desta sexta-feira (26) com um minuto de silêncio pelas vítimas dos terremotos que devastaram a Venezuela nesta semana e anunciou o envio do ministro da Defesa, José Múcio, ao país em missão oficial.
Os sismos de quarta-feira (24) já somavam 589 mortos, segundo balanço atualizado do governo venezuelano, com mais de 24 mil desaparecidos registrados por grupos comunitários nas áreas atingidas.
Terremotos mais intensos em um século
Dois tremores em sequência sacudiram o norte da Venezuela na noite de quarta-feira (24), atingindo Caracas e a faixa costeira ao redor. Os sismos foram classificados como os mais fortes no país em mais de cem anos, derrubando prédios e deixando um rastro de destruição na capital.
Na véspera, Lula havia acionado o Itamaraty para avaliar formas de apoio ao país vizinho — a visita do ministro Múcio representa uma escalada concreta na resposta diplomática brasileira. Na quinta-feira, o presidente já havia confirmado o envio de água, comida e remédio; a missão agora busca mapear o que mais o Brasil pode oferecer diante da dimensão da tragédia. A mobilização ganha contornos ainda mais urgentes após o Itamaraty confirmar a morte de dois cidadãos brasileiros nos terremotos.
Resposta do governo venezuelano
A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou a militarização do estado de La Guaira, área costeira próxima a Caracas declarada zona de desastre pelo governo venezuelano. Seu irmão, o presidente do Parlamento Jorge Rodríguez, informou na quinta-feira que ao menos 200 pessoas ainda estavam presas nos escombros, enquanto o levantamento oficial já contabilizava 250 edifícios totalmente destruídos ou com danos severos.
Buscas e ajuda internacional
Equipes de resgate trabalham sem parar para localizar desaparecidos e retirar sobreviventes dos escombros. Grupos organizados pelos próprios moradores das áreas afetadas para rastrear parentes e conhecidos já registram mais de 24 mil desaparecidos — número que revela a extensão do colapso urbano provocado pelos sismos.
Vários países, entre eles Estados Unidos e Brasil, anunciaram o envio de equipes para apoiar as buscas. Nesta sexta-feira (26), a ajuda internacional começou a chegar à Venezuela. A missão do ministro Múcio deve permitir ao governo brasileiro calibrar o volume e o tipo de suporte a oferecer nos próximos dias, à medida que o balanço da tragédia segue crescendo.
