Política

Marinha do Brasil monta hospital de campanha para vítimas do terremoto na Venezuela

Estrutura em La Guaira foi concluída em menos de 24 horas; missão pode ser prorrogada por tempo indeterminado
Visão de La Guaira ressalta hospital de campanha Brasil Venezuela terremoto com cores nacionais

A Marinha do Brasil concluiu nesta segunda-feira (29) a montagem de um hospital de campanha em La Guaira, litoral norte da Venezuela, para atender vítimas dos terremotos que devastam o país desde quarta-feira (24) e já somam 1.450 mortos.

A estrutura começou a ser instalada na noite de domingo (28). São 49 militares e profissionais de saúde na missão, com reforço de cerca de 50 integrantes previsto para chegar na terça (30).

Estrutura preparada para cirurgias e emergências

O hospital dispõe de medicamentos, equipamentos médicos e área para cirurgias de urgência. A unidade conta com dois geradores de energia e sistema de ar-condicionado, apontado pelo comandante Leonel Mariano como requisito essencial para o funcionamento adequado da instalação.

"A temperatura ajuda os pacientes e faz a manutenção das condições sanitárias. O ar-condicionado é um requisito para o funcionamento correto da instalação de saúde", declarou Mariano.

A operação foi autorizada por 15 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 15, mas a Marinha informou que permanecerá no país enquanto houver necessidade — sem prazo definido para encerramento.

Coordenação com governo venezuelano

Logo após o desembarque, a equipe brasileira iniciou contato com os ministérios da Saúde, da Gestão de Risco e da Defesa da Venezuela para coordenar a operação. O encaminhamento de pacientes ao hospital ficará a cargo dos serviços de saúde locais.

O módulo médico chegou a bordo de voos humanitários da FAB. A Força Aérea Brasileira realizou voos anteriores levando equipes de busca e resgate e anunciou um terceiro com equipamentos para a montagem da unidade médica.

A Defesa Civil da Venezuela divulga os atendimentos por rádio, televisão e pelo WhatsApp para orientar a população sobre onde buscar atendimento.

Os militares brasileiros estão alojados em barracas e contam com o apoio do governo venezuelano e da população local. A Embaixada do Brasil providenciou banheiros químicos para dar suporte logístico à equipe.

O contexto humanitário é grave: cinco dias após os primeiros tremores, um abalo de magnitude 4,6 atingiu nesta segunda Caraballeda, no litoral norte, a cerca de 30 km de Caracas, às 7h do horário local (8h em Brasília). A ONU estima que ainda há cerca de 50 mil desaparecidos no país.

O hospital de campanha integra uma resposta humanitária mais ampla do Brasil. Um dia antes, 130 brasileiros — bombeiros, cães farejadores e especialistas da Anatel rastreando celulares sob escombros — já atuavam em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes.

Mesmo com a diminuição das chances de sobrevivência a cada hora, equipes de resgate ainda conseguem encontrar pessoas com vida entre os escombros, mantendo viva a esperança das famílias.

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