O Brasil tem até 15 de julho para convencer os americanos a aliviar o tarifaço. Antes do prazo, o governo planeja duas rodadas de negociação com o Departamento de Comércio dos EUA — e pelo menos uma delas, no nível político mais alto.
O ministro Márcio Elias Rosa confirmou que deve se reunir com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, até segunda-feira (13). A conversa tem caráter político e antecede o envio do relatório do USTR à Casa Branca.
O prazo de 15 de julho marca o fim do período de audiências públicas do USTR e o início da fase de recomendações formais à Casa Branca. O ministro Márcio Elias deixou claro, porém, que as tratativas não encerram com o relatório — elas apenas mudam de fase.
Além do encontro político, as equipes técnicas dos dois países devem realizar mais uma conversa antes do prazo. O objetivo é duplo: retirar setores inteiros do chamado tarifaço e reduzir as alíquotas que eventualmente forem aplicadas aos demais.
Janela de negociação se abre após o relatório
Na prática, a conclusão do USTR não encerra o jogo — ela abre espaço para propostas concretas de ambos os lados. Essa leitura é compartilhada por integrantes do próprio governo Trump, o que indica que a janela diplomática permanece aberta além do dia 15.
A reunião de alto nível prevista para segunda-feira é mais um desdobramento de uma sequência de movimentos: há menos de uma semana, o ministro Márcio Elias havia entregado ao USTR um ‘mapa do caminho’ com propostas concretas para endereçar os seis pontos de atrito levantados pelos americanos.
Entre representantes de empresas que participaram das audiências dos últimos dias, prevalece a avaliação de que o tarifaço é inevitável — mas pode ser calibrado conforme os efeitos que provoque na economia americana.
Um dos argumentos centrais da delegação brasileira explora justamente essa lógica: encarecer produtos do Brasil aumentaria a dependência de linhas de produção americanas a insumos chineses — exatamente o cenário que o governo Trump quer evitar. A vulnerabilidade à China é um dos pilares da política comercial de Washington, o que torna esse argumento estrategicamente relevante nas negociações bilaterais.
A aposta nas negociações diretas como canal principal já havia ficado clara quando o Brasil optou por enviar apenas observadores às audiências públicas do USTR — reservando o esforço diplomático para os bastidores bilaterais.
