O Brasil tem até 15 de julho para fechar um acordo com os Estados Unidos e evitar o tarifaço proposto pelo governo Donald Trump — prazo que o próprio governo admite estar correndo contra.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) quantificou a ameaça nesta segunda-feira (6): 4,1 mil produtos exportados ao mercado americano estão em risco, somando US$ 14,9 bilhões em exportações anuais.
O governo decidiu não se inscrever para falar nas audiências públicas que começaram hoje em Washington, mas enviará observadores da embaixada para acompanhar os debates.
O Office of the United States Trade Representative (USTR) sustenta que o Brasil adota práticas econômicas desleais contra empresários americanos em quatro frentes: o sistema de pagamentos PIX, o mercado de etanol, o desmatamento e a propriedade intelectual. O governo brasileiro rejeitou formalmente todas as acusações em documento enviado a Washington na semana passada.
Para tentar reverter o quadro, autoridades dos dois países têm se encontrado. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, conversou com o representante comercial americano Jamieson Greer, e novas reuniões estão previstas para os próximos dias.
Na semana passada, o governo havia entregue ao USTR um “mapa do caminho” endereçando os seis pontos de atrito levantados pelos americanos — proposta que ainda aguarda resposta formal de Washington.
Em junho, a CNI já havia mapeado o impacto por alíquota: 31,6% das exportações brasileiras para os EUA enfrentariam tarifa de 37,5% — projeção que agora ganha escala com a contagem de 4,1 mil produtos em risco.
Ceticismo nos bastidores do Planalto
Nos corredores do Palácio do Planalto e do Itamaraty, a leitura dominante é de que a recomendação do USTR tem caráter essencialmente político e ignora os argumentos técnicos apresentados ao longo do último ano. Um indício alimenta essa interpretação: os documentos do início da investigação comercial, de julho de 2025, e da recomendação pelas tarifas, de junho de 2026, são descritos internamente como “praticamente iguais” — sugerindo que a conclusão já estava definida antes do fim do processo.
Diante desse diagnóstico, integrantes do governo afirmam, sob reserva, não acreditar em uma reversão completa do tarifaço. O cenário mais realista, segundo essas fontes, seria uma eventual redução das alíquotas ou o anúncio de exceções para determinados setores.
Levantamento anterior da CNI já sinalizava que mesmo com a maioria dos participantes contra as tarifas nas audiências, a tendência era pela manutenção das medidas — cenário que ecoa o pessimismo dos bastidores e reforça a urgência do prazo de 15 de julho.
