Saúde

Robô permite que fisioterapeuta transfira seus movimentos a paciente pós-AVC

Sistema TEPI conecta exoesqueletos de terapeuta e paciente, orientando a marcha em tempo real durante a reabilitação
Reabilitação motora com exoesqueleto: fisioterapeuta orientando paciente pós-AVC

Cientistas desenvolveram um sistema robótico capaz de transmitir os movimentos de um fisioterapeuta diretamente ao paciente durante a reabilitação pós-AVC. O estudo foi publicado na quarta-feira (18) na revista Science Robotics.

O sistema, chamado TEPI, conecta dois exoesqueletos vestíveis por um software que sincroniza os movimentos dos joelhos e quadris de terapeuta e paciente em tempo real.

Em testes com oito sobreviventes de AVC, o método superou a fisioterapia convencional em três indicadores: comprimento do passo, amplitude de movimento e elevação das pernas durante a marcha.

Como funciona o TEPI

Durante as sessões, terapeuta e paciente vestem simultaneamente exoesqueletos nos membros inferiores. Um software cria uma ligação virtual entre os dois equipamentos: quando o profissional movimenta a perna, o sistema transmite forças que orientam o movimento correspondente no paciente.

O terapeuta recebe retorno tátil e consegue perceber como a pessoa está caminhando — identificando limitações e ajustando a intensidade da assistência a cada momento.

Diferentemente de exoesqueletos convencionais, que seguem trajetórias pré-programadas, o TEPI mantém o controle nas mãos do fisioterapeuta.

Os criadores descrevem isso como a combinação de dois atributos que raramente aparecem juntos na reabilitação: a precisão mecânica do robô e a capacidade humana de adaptar o tratamento em tempo real.

O experimento

Os oito participantes realizaram duas sessões de 30 minutos em dias diferentes — uma com o sistema TEPI e outra com fisioterapia manual em esteira, com o terapeuta fazendo correções diretamente durante a caminhada.

Ao comparar as duas abordagens, os pesquisadores observaram que os pacientes reproduziram padrões de marcha mais próximos dos demonstrados pelo fisioterapeuta quando usavam o robô. A área percorrida pelo tornozelo durante a caminhada — um indicador de amplitude — foi significativamente maior com os exoesqueletos.

Paciente permanece ativo

Uma preocupação recorrente em terapias robóticas é que o equipamento acabe substituindo o esforço do paciente. Com o TEPI, isso não ocorreu: em diversas fases da marcha, mais da metade da força necessária para movimentar as pernas partiu do próprio paciente.

Os níveis de ativação muscular registrados foram semelhantes ou superiores aos da sessão convencional. Os participantes também relataram alta satisfação e motivação, sem aumento relevante de desconforto ou percepção de esforço.

Os autores ressaltam, porém, que o estudo analisou apenas os efeitos imediatos das sessões. Não há dados sobre se os ganhos persistem após o fim da terapia ou se a tecnologia acelera a recuperação funcional a longo prazo. Pesquisas com maior número de participantes e acompanhamento prolongado serão necessárias para responder essas questões.

O custo também é uma barreira concreta: o sistema exige dois exoesqueletos e profissionais especialmente treinados para operá-los, o que dificulta a adoção em centros de reabilitação de menor porte.

Para os pesquisadores, o objetivo do TEPI não é substituir o fisioterapeuta, mas ampliar sua capacidade de orientar e interagir com o paciente ao longo da recuperação.

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