A National Fisheries Institute (NFI), maior associação de pescados dos Estados Unidos, vai defender os produtos brasileiros em audiência pública no USTR no dia 6 de julho.
Na pauta: a tentativa de barrar a tarifa de 37,5% proposta pelo governo Trump para as importações do setor.
Os pescados ficaram de fora da lista de isenções americana — ao contrário da carne bovina, incluída apesar das críticas diretas de Trump ao setor.
Argumentos de defesa
A apresentação da NFI deve repetir, em grande parte, os pontos levados ao governo americano em 2025, quando o setor já havia enfrentado tarifas de 50%. Segundo Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), a defesa vai destacar os protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais adotados pelo Brasil.
Um dos argumentos centrais é o perfil artesanal da produção nacional: a maior parte do pescado brasileiro é capturado por pequenas embarcações familiares, o que resulta em baixo impacto ambiental. O setor também pretende deixar claro que não há trabalho infantil ou escravo na cadeia produtiva.
Em depoimento ao USTR no dia 5 de maio, o diretor jurídico da NFI, Bob DeHaan, já havia pedido que o governo Trump não taxasse a importação de pescados de nenhum país, argumentando que a medida pressionaria a inflação ao consumidor americano.
Brasil é fornecedor relevante, mas não dominante
A China lidera as importações americanas de pescado, enquanto o Brasil responde por cerca de 5% do total. Nos últimos anos, importadores dos EUA vinham ampliando as compras brasileiras para reduzir a dependência de fornecedores chineses — movimento que pode ser revertido com a confirmação das novas tarifas.
Os pescados ficaram fora da lista de isenções americana — situação compartilhada com o aço semiacabado, os sucos industrializados e as máquinas de construção civil, todos ainda à espera da audiência de julho para definir seu destino.
A dependência do setor em relação ao mercado americano é significativa: 90% de toda a tilápia exportada pelo Brasil vai para os EUA. Considerando todas as espécies, o mercado americano absorve cerca de metade das exportações brasileiras de pescado.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 370 milhões em pescados para os Estados Unidos — cerca de US$ 100 milhões a menos do que em 2024. A expectativa para 2026 era atingir US$ 500 milhões, mas a ameaça das novas tarifas deve frustrar essa projeção.
“Estamos apreensivos, mas o setor amadureceu muito depois de tudo o que passou. Estamos lutando bastante para não diminuir produção, nem perder postos de trabalho”, afirmou Lobo. Após o tombo de 2025, o setor intensificou a busca por novos mercados — mas os avanços ainda não compensam: “É muito difícil substituir em um ou dois anos o maior mercado consumidor de pescados do mundo”, reconheceu o executivo.
A alíquota de 37,5% temida pelo setor é a mesma que a CNI estima atingir quase um terço de todas as exportações brasileiras aos EUA — e ainda depende da audiência pública para se tornar definitiva. Antes disso, a simples ameaça das tarifas americanas já havia travado embarques de exportadores brasileiros, com reflexo direto nos resultados do ano passado.
