O dólar oscilou na abertura desta quarta-feira (15), com alta de 0,08% por volta das 9h, cotado a R$ 5,0818. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre operações às 10h.
O mercado brasileiro opera sob tensão dupla: nesta quarta termina o prazo para o USTR anunciar a decisão final sobre o tarifaço contra produtos brasileiros, investigado com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.
Ao mesmo tempo, EUA e Irã seguem trocando ataques no Estreito de Ormuz, no 5º dia consecutivo de confrontos, elevando o risco geopolítico sobre o petróleo.
Tarifaço: prazo final e resposta do governo brasileiro
O processo aberto pelos Estados Unidos avalia duas sobretaxas contra o Brasil e provocou uma disputa direta entre Brasília e Washington. Setores da economia brasileira participaram de audiências públicas para apresentar argumentos contrários às medidas antes da decisão prevista para hoje.
Como resposta, o governo brasileiro aprovou uma Medida Provisória que libera uma linha de financiamento de R$ 15 bilhões para empresas afetadas tanto pelo tarifaço quanto pela guerra no Oriente Médio. O crédito integra o Plano Brasil Soberano e alcança exportadores de bens industriais, produtos agropecuários, mineração, florestas plantadas, pesca e aquicultura.
Novos ataques matam militares iranianos
Um ataque de mísseis dos Estados Unidos matou sete militares iranianos em um quartel próximo à cidade de Iranshahr, no sudeste do Irã, nesta quarta-feira, segundo o Exército do país. Os novos ataques dão sequência à ofensiva iniciada na segunda-feira (13), quando o Irã bombardeou bases dos EUA no Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia e fechou o Estreito de Ormuz por tempo indeterminado.
Apesar da pressão americana, a Guarda Revolucionária do Irã reafirmou nesta quarta que o estreito seguirá fechado até que os atos de agressão dos EUA cessem. “As operações de represália dos combatentes continuarão, e o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos ponham fim aos seus atos de agressão”, afirmou comunicado divulgado pela televisão estatal Irib.
Repercussão nos mercados globais
A escalada recente coloca em xeque o frágil acordo de paz firmado em 17 de junho entre EUA e Irã, que havia formalizado um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo. A deterioração atual remonta à declaração de Trump, em 8 de julho, de que o acordo de paz com Teerã havia “acabado” após mísseis atingirem navios comerciais no Estreito de Ormuz.
Na Ásia, as bolsas fecharam a quarta-feira em direções opostas. Na China, o CSI 300 caiu 0,20% e o índice composto de Xangai (SSEC) recuou 0,29%, em meio a uma liquidação de ações de semicondutores e à realização de lucros por investidores. Já em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,40%, enquanto o Nikkei, do Japão, avançou 1,49% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 6,24%.
