As bolsas da Ásia e da Europa abriram em forte alta nesta segunda-feira (15) após o anúncio de um acordo preliminar entre EUA e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.
O otimismo chegou também aos preços do petróleo: o Brent caiu US$ 4,08, para US$ 83,25 por barril, e o WTI recuou US$ 4,51, para US$ 80,37 — alívio expressivo para cadeias energéticas que operavam sob forte pressão desde o início do conflito, em fevereiro.
Donald Trump confirmou o entendimento inicial e autorizou o fim do bloqueio naval aos portos iranianos. O Irã concordou com o avanço, mas condicionou a implementação à assinatura formal do texto, prevista para esta sexta-feira, na Suíça.
Máximas históricas na Ásia e rali generalizado na Europa
Na Ásia, o Nikkei 225, de Tóquio, saltou 5% e atingiu a máxima histórica de 69.317,50 pontos, puxado pelo setor de tecnologia e inteligência artificial. A Coreia do Sul também figurou entre as grandes altas do dia: o Kospi avançou 5,2%. Já o Shanghai Composite, na China, subiu 1,6%.
Na Europa, o otimismo se propagou desde as primeiras negociações. O DAX da Alemanha avançou 1,7%, operando na casa dos 25.066 pontos — desempenho idêntico ao do CAC 40, de Paris. Em Londres, o FTSE 100 registrava alta de 0,8%. Os contratos futuros de Nova York apontam abertura igualmente positiva, com o S&P 500 projetando ganho de 1,2%.
Apenas três semanas antes, os EUA ainda realizavam ataques contra plataformas iranianas no Estreito de Ormuz — tensão que agora cede lugar ao otimismo que empurra as bolsas para cima.
A virada nos preços do petróleo é ainda mais significativa quando se olha para o cenário de poucas semanas atrás: em 22 de maio, quando nenhum acordo parecia próximo, o Brent chegou a US$ 105 por barril. A queda para US$ 83,25 nesta segunda representa um recuo superior a 20% em menos de um mês.
Preços demorarão meses para estabilizar, alertam analistas
Apesar do rali nos índices e da queda expressiva do petróleo, o mercado opera com cautela. Analistas advertem que a estabilização completa dos preços de combustíveis e fretes marítimos pode levar meses — as empresas de navegação e seguros aguardam garantias concretas de que o pacto será cumprido antes de ajustar suas operações.
No domingo (14), horas antes da abertura das bolsas asiáticas, o petróleo Brent já havia recuado 4%, chegando a US$ 84 — o primeiro sinal de um acordo que agora contamina os mercados globais de ações.
A instabilidade no setor energético remonta ao final de fevereiro, quando o conflito teve início. Desde então, os mercados operaram sob incerteza persistente que pressionou tanto as cotações do petróleo quanto os índices acionários ao redor do mundo.
O próximo passo decisivo será a cerimônia de assinatura formal prevista para esta sexta-feira, na Suíça. Sem o acordo firmado em papel, tanto os mercados quanto os operadores logísticos devem manter postura cautelosa, evitando comprometer rotas e contratos antes da confirmação definitiva.
