O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (24) que o Irã garantiu aos americanos que não haverá cobrança de pedágio ou taxas para navios comerciais no Estreito de Ormuz.
A declaração contradiz diretamente um comunicado conjunto divulgado por Irã e Omã na véspera, no qual os dois países afirmam estudar uma administração conjunta do estreito — com cobrança de custos pelos serviços prestados.
Ameaças ao acordo e disputa sobre US$ 300 bilhões
Na mesma publicação, Trump voltou a ameaçar abandonar as negociações com o Irã — postura que já havia adotado na terça-feira, quando a disputa girava em torno das inspeções às instalações nucleares iranianas previstas no acordo preliminar de paz assinado na semana passada.
O presidente americano também reafirmou que os EUA não repassarão recursos ao Irã, contrariando trecho do próprio acordo que prevê um mecanismo para transferência de US$ 300 bilhões — cerca de R$ 1,55 trilhão — para reconstrução do país. Trump enquadrou os valores como ajuda humanitária ao povo iraniano, oriunda de bens congelados de Teerã, não como um pagamento direto.
Irã restringe número de navios em Ormuz
Na terça-feira, a agência estatal iraniana Tasnim divulgou que apenas um número limitado de embarcações por dia está autorizado a cruzar o estreito, com essa quantidade variando conforme as condições locais. A restrição não estava prevista no texto do acordo de paz, e o Irã não informou nenhum limite estimado de navios.
A disputa sobre o controle de Ormuz no pós-guerra se intensifica. Na segunda-feira, Trump havia declarado que o estreito estava “totalmente aberto”, enquanto Teerã ameaçava fechá-lo novamente em resposta a ataques de Israel no Líbano.
Os sinais contraditórios surgem após o tráfego mais intenso registrado em Ormuz desde o início do conflito no Oriente Médio. Na segunda-feira, pelo menos 35 navios comerciais cruzaram o estreito — e Trump afirmou que 19 milhões de barris de petróleo passaram pela região naquele dia, o que chamou de um “recorde histórico”.
Trump também explicou por que levantou o bloqueio naval imposto pela Marinha dos EUA na entrada de Ormuz: segundo ele, a decisão ocorreu após negociadores iranianos aceitarem vistorias às instalações nucleares. “Baseado nessa e em outras grandes concessões feitas pelo Irã, eu concordei em permitir que o Estreito de Ormuz siga aberto, sem novos bloqueios navais”, declarou.
A disputa atual sobre pedágios em Ormuz tem raiz no acordo de paz anunciado em 13 de junho, quando Trump prometeu reabrir o estreito imediatamente — mas o texto não definia quem controlaria a passagem nem se haveria cobrança de taxas.
O memorando assinado em Genebra prevê explicitamente o trânsito livre pelo estreito, mas a implementação vem sendo contestada dia após dia por Teerã, que agora estuda uma administração conjunta com Omã. O Brasil celebrou o acordo EUA-Irã, mas cobra o cumprimento dos termos.
