O dólar abriu em baixa nesta sexta-feira (26), mas rapidamente inverteu o sinal: por volta das 9h40, a moeda americana operava em alta de 0,13%, cotada a R$ 5,1839.
O movimento reflete a digestão simultânea de dados macroeconômicos dos dois lados do Atlântico: no Brasil, a Pnad apontou queda na taxa de desemprego, de 5,8% para 5,6% em maio, enquanto a prévia da inflação oficial — o IPCA-15 — acumulou 4,80% nos últimos 12 meses.
Nos EUA, o índice PCE, principal termômetro do Federal Reserve, avançou 4,1% em maio — primeira vez em três anos que o indicador supera esse patamar.
Inflação pressionada nos dois lados
O IPCA-15 subiu 0,41% em junho. Alimentação e bebidas (+0,74%) e habitação (+0,72%) responderam por cerca de dois terços do resultado. Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, aponta carnes, pães, laticínios e, especialmente, frutas, legumes e verduras como vetores principais da alta — pressionados por fatores climáticos pontuais e pelo aumento das exportações de carne bovina para a China.
Nos EUA, o PCE de maio confirmou o que o mercado já antecipava. Na véspera, analistas aguardavam os dois indicadores que se concretizaram nesta sexta: o PCE superou 4% pela primeira vez em três anos enquanto o IPCA-15 acumulou 4,80% em 12 meses, consolidando a pressão inflacionária que já pautava o câmbio desde quinta-feira. O núcleo do PCE — sem alimentos e energia — ficou em 3,4% no acumulado anual, acima dos 3,3% de abril, e avançou 0,3% na comparação mensal.
Fed mantém juros, mas deixa porta aberta para altas
Na semana passada, o Federal Reserve — em sua primeira reunião sob Kevin Warsh — optou por manter os juros entre 3,5% e 3,75%, com analistas já alertando que novas altas poderiam ser necessárias caso a inflação persistisse — exatamente o cenário que o PCE de maio agora confirma.
Dados revisados divulgados nesta quinta-feira mostram que a economia americana cresceu 2,1% no primeiro trimestre, acima da estimativa anterior de 1,6%. A resiliência do PIB americano, combinada com a recente queda do petróleo, alimenta a expectativa de desinflação gradual — mas o risco de novos apertos monetários permanece no radar dos analistas.
Ásia despenca com crise no setor de tecnologia
As bolsas asiáticas fecharam a semana com perdas expressivas, arrastadas por uma onda de vendas no setor de tecnologia. O Nikkei, do Japão, recuou 4,15%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desabou 5,81% — uma das maiores quedas da região no dia.
Na China, o CSI 300 caiu 3,03% e o índice de Xangai recuou 2,26%. Hong Kong também sentiu o impacto: o Hang Seng registrou perdas de 1,76%.
O movimento reflete dúvidas crescentes sobre a capacidade de retorno das empresas do setor diante dos altos investimentos em inteligência artificial. A pressão sobre os papéis de tecnologia tem sido global ao longo da semana, e o Ibovespa — cujas negociações iniciaram às 10h — também deve absorver parte do pessimismo vindo do exterior.
