O dólar recuou 0,19% na abertura desta segunda-feira (29), cotado a R$ 5,1569, pressionado pela notícia de uma nova trégua entre Estados Unidos e Irã.
Na tarde de domingo (28), Washington e Teerã concordaram em suspender as hostilidades no Golfo Pérsico e retomar as negociações sobre a disputa em torno do Estreito de Ormuz — um dia após os dois países trocarem novos ataques, colocando o cessar-fogo em xeque.
Uma nova rodada diplomática está prevista para terça-feira (30), em Doha, no Catar.
Mais um capítulo na crise do Golfo
A nova suspensão das hostilidades é o terceiro movimento de tensão e distensão num curto intervalo. O memorando de entendimento assinado em 17 de junho havia derrubado o dólar 0,35% e impulsionado o Nikkei quase 5% em um único pregão — mas a euforia durou pouco.
Já na semana seguinte, o cancelamento das negociações em Genebra reacendeu a cautela nos mercados e fez o petróleo subir, sinalizando a fragilidade do acordo.
Na última sexta-feira (26), EUA e Irã trocaram ataques novamente. O Irã classificou a ofensiva como uma “violação clara” do cessar-fogo e ameaçou “paralisar todos os processos diplomáticos”. O presidente americano Donald Trump também voltou a fazer ameaças públicas. No domingo (28), no entanto, ambos os lados recuaram e concordaram em interromper as hostilidades.
Bolsas asiáticas fecharam no verde
A perspectiva de novo entendimento impulsionou os mercados da Ásia, com a maioria das bolsas da região fechando em alta. O CSI 300, índice das maiores companhias de Xangai e Shenzhen, avançou 1,21%, enquanto o índice de Xangai (SSEC) subiu 1,16%.
Em Hong Kong, o Hang Seng registrou ganhos de 1,57%. O Nikkei japonês avançou 0,15%. Apenas o Kospi sul-coreano ficou no vermelho, com desvalorização de 0,20%. Os setores de saúde, consumo e inteligência artificial lideraram os ganhos na região.
Agenda da semana traz dados de emprego
Além do front geopolítico, a semana reserva indicadores econômicos relevantes para Brasil e Estados Unidos. O payroll americano — relatório oficial de emprego dos EUA — e o Caged brasileiro estão na agenda e devem oferecer sinais sobre a atividade econômica e reforçar as perspectivas para as taxas de juros nos dois países.
O Boletim Focus divulgado nesta segunda (29) pelo Banco Central manteve as estimativas de inflação, câmbio e Selic para 2026 em relação à semana anterior. A única revisão foi na projeção de crescimento econômico, que subiu de 1,98% para 1,99%. O documento consolida as projeções de diversas instituições do mercado financeiro para o desempenho da economia brasileira.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h desta segunda-feira.
