A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu nesta sexta-feira (3) um alerta sobre a aceleração do El Niño: o fenômeno já está ativo no Oceano Pacífico e deve ganhar força rapidamente entre julho e setembro.
Segundo a agência da ONU, os modelos meteorológicos convergem para um episódio forte, com pico esperado entre novembro e fevereiro — justamente o verão brasileiro.
O aquecimento das águas do Pacífico equatorial pode ultrapassar 2°C acima da média em áreas-chave de monitoramento, elevando o risco de secas, enchentes e ondas de calor em múltiplas regiões do mundo.
Como o fenômeno se intensifica
Para que o El Niño ganhe força, não basta o aquecimento do Pacífico: é preciso que o sistema oceano-atmosfera passe a atuar de forma acoplada e persistente.
A OMM destaca que os principais centros meteorológicos apresentam projeções semelhantes, o que aumenta a confiança na classificação do episódio como forte. A tendência é de intensificação ao longo do segundo semestre, com pico entre novembro e fevereiro.
Efeitos no Brasil
O fenômeno provoca impactos desiguais no território brasileiro. O Sul tende a registrar chuvas acima da média, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos prolongados de seca.
Em anos de El Niño intenso, as temperaturas globais também sobem, ampliando os efeitos do calor — especialmente na primavera e no verão do hemisfério sul.
Dois dias antes do alerta da OMM, dados do Copernicus já apontavam a maior temperatura oceânica de junho da história — um sinal precoce de que o episódio em curso pode ser um dos mais expressivos das últimas décadas.
Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño vem alterando progressivamente o padrão climático global.
Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, mesmo eventos moderados têm gerado impactos mais severos do que no passado — e a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em diversas regiões do planeta.
A OMM reforça que o aquecimento global continua sendo o principal fator estrutural por trás das mudanças climáticas: o El Niño amplifica riscos, mas não substitui essa dinâmica de longo prazo.
Do lado econômico, o cenário não é uniformemente negativo para o Brasil. Um relatório da Oxford Economics identificou o país como um dos menos vulneráveis ao fenômeno, com potencial de ganho nas safras de milho e soja em razão das chuvas mais intensas previstas para o Sul — contraponto relevante ao alerta global da OMM.
