O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira a retirada e a suspensão imediata de um levantamento do Instituto AtlasIntel que registrava queda de cinco pontos nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.
A pesquisa havia sido conduzida entre 13 e 18 de maio, com 5.032 eleitores em todo o Brasil, e veio a público após o vazamento de um áudio do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão atende a pedido do Partido Liberal (PL) e ainda será submetida a referendo do plenário do tribunal.
O PL argumentou ao TSE que o questionário da AtlasIntel foi estruturado para induzir respostas negativas sobre Flávio Bolsonaro. Das 49 perguntas do levantamento, 8 envolviam diretamente o Banco Master e foram apresentadas em sequência — o que, segundo o partido, não apenas influenciou a percepção dos entrevistados como criou uma narrativa acusatória contra o senador.
O partido contestou também o uso do áudio no questionário, alegando que o material não teria autenticidade comprovada para embasar perguntas de uma pesquisa eleitoral registrada.
Nunes Marques acatou os argumentos. Em sua decisão, o ministro afirmou que a controvérsia “não se limita à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.
O presidente do TSE destacou ainda que outras 27 pesquisas conduzidas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas de teor semelhante nem fizeram uso de áudio — reforçando o caráter singular do levantamento agora contestado.
O instituto terá de apresentar documentação técnica ao tribunal para comprovar a regularidade metodológica e esclarecer de que forma o áudio foi utilizado nas perguntas. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar no processo.
A decisão não chegou sem sinalização prévia. Dias antes, Nunes Marques havia se designado relator da própria representação do PL contra o AtlasIntel — movimento incomum que já indicava o rumo do processo dentro do tribunal.
A pesquisa suspensa foi realizada justamente nas semanas em que o escândalo veio a público. No áudio, Flávio admitiu ter solicitado recursos a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse — o mesmo material que o PL agora afirma não ter autenticidade comprovada para figurar em um questionário eleitoral oficial.
O impacto do caso já havia ultrapassado fronteiras. A revista The Economist avaliou que o escândalo comprometia a pré-candidatura de Flávio e levava aliados a cogitar nomes alternativos para outubro.
A pesquisa da AtlasIntel apresentava margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%, parâmetros dentro do padrão do setor. A suspensão, no entanto, é de natureza cautelar e depende de confirmação do plenário para se tornar definitiva.
