Política

TSE reúne institutos de pesquisa eleitoral após suspender pesquisa da AtlasIntel

Kassio Nunes Marques convocou empresas para discutir critérios de coleta de dados antes da retomada do julgamento em agosto
Ministro Nunes Marques debate critérios de pesquisas eleitorais TSE em frente à sede do tribunal em Brasília

Os ministros do TSE se reúnem nesta terça-feira (14) com institutos de pesquisa eleitoral, a convite do presidente da corte, Kassio Nunes Marques, para alinhar critérios sobre pesquisas de intenção de voto no ano eleitoral.

O encontro ocorre um mês depois de o ministro suspender pesquisa do Instituto AtlasIntel, alvo de representação do PL por suposta indução de respostas sobre um áudio vazado do senador Flávio Bolsonaro.

O julgamento do caso no plenário do TSE foi interrompido por pedido de vista e só deve ser retomado em agosto, após o recesso judiciário.

Por que a pesquisa da AtlasIntel foi suspensa

Em maio, um levantamento da AtlasIntel apontou queda de cinco pontos na intenção de voto do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), logo após o vazamento de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em que o parlamentar pedia dinheiro para financiar o filme Dark Horse, sobre o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O PL acionou o TSE alegando que o questionário induzia respostas negativas ao reproduzir o áudio da conversa na última das 48 perguntas do formulário — nove delas relacionadas ao Banco Master. Ao assumir a relatoria, Nunes Marques classificou a sequência de perguntas como indício de utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado e determinou que o instituto enviasse documentação técnica ao tribunal.

A defesa da AtlasIntel

Em nota, a AtlasIntel negou a acusação e afirmou que o áudio não foi reproduzido durante a aplicação do questionário, já que os participantes eram redirecionados a uma página separada após o encerramento definitivo das perguntas. O instituto acrescentou que pesquisas posteriores de outras empresas identificaram o mesmo padrão de impacto sobre as intenções de voto do candidato.

Bastidores da reunião e repercussão jurídica

O g1 apurou que a maioria dos institutos convidados optou por ser representada por uma advogada da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), que apresentará um posicionamento conjunto sobre como o processo pode ser aprimorado. Fontes ouvidas sob reserva descrevem um clima de cautela entre os institutos, dada a proximidade das eleições.

Para a cientista política Gabriela Rollemberg, cofundadora da Quero Você Eleita, a decisão liminar de Nunes Marques rompeu a postura minimalista que a Justiça Eleitoral costuma adotar diante de pesquisas, e abriu, segundo setores técnicos e jurídicos, um precedente perigoso de censura prévia contra institutos de alta credibilidade. A especialista alerta ainda para o risco de que novas regras sejam lidas como interferência do Judiciário na liberdade de expressão.

O caso começou a ser julgado no plenário em 9 de junho, mas foi suspenso por pedido de vista da ministra Estela Aranha. Na ocasião, os ministros André Mendonça e Dias Toffoli defenderam a fixação de critérios objetivos para orientar a atuação dos institutos — debate que só deve avançar depois da avalanche de 135 representações eleitorais que já chegaram ao TSE neste ano, mais de quatro vezes o volume do mesmo período de 2022. A convocação também repete uma estratégia usada por Nunes Marques em junho, quando propôs às legendas um pacto de integridade contra a desinformação nas eleições de 2026.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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