O dólar abriu a sessão desta segunda-feira em queda de 0,13%, cotado a R$ 5,1501, enquanto a retomada dos conflitos entre Israel e Irã agita o mercado financeiro. Foi a primeira troca de ataques diretos entre os dois países desde o cessar-fogo de abril.
A escalada começou com um bombardeio israelense a Beirute no fim de semana. O Irã respondeu com mísseis, e Israel lançou novos ataques a alvos militares em Teerã, Tabriz e Isfahan — explosões registradas pela rede Al Jazeera.
Mercados globais divididos
Com o retorno das tensões no Oriente Médio, os futuros de Wall Street operavam em alta perto das 9h. O Dow Jones futuro avançava 0,28%, o S&P 500 subia 0,69% e o Nasdaq registrava ganhos de 1,28%.
Na Europa, os índices operavam sem direção única. O DAX alemão recuava 0,32%, o CAC-40 francês cedia 0,04% e o FTSE 100 britânico ganhava 0,27%.
A maior pressão veio da Ásia: China e Hong Kong encerraram nos menores níveis em dois meses, com a queda global no setor de tecnologia acelerando as perdas. O CSI300 caiu 2,4%, o Shanghai Composite recuou 1,7% e o Hang Seng perdeu 1,2%. O Nikkei japonês registrou perdas de 3,85%, enquanto o Kospi sul-coreano despencou 8,29%.
Trump desafiado e agenda da semana
Esta foi a segunda vez em menos de 24 horas que Israel desafiou Donald Trump com ataques na região. O presidente americano havia tentado costurar um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, no Líbano — acordo que foi descumprido com o bombardeio a Beirute no fim de semana.
Na semana passada, o Irã já havia suspendido as negociações com os EUA em resposta a ataques israelenses no Líbano — o mesmo cessar-fogo que Israel voltou a violar com o bombardeio que desencadeou os ataques mútuos desta segunda-feira.
Trump usou o Truth Social para demonstrar insatisfação com a volta dos confrontos, mas afirmou que ambos os países “estão buscando” um novo acordo de cessar-fogo.
Os destaques da agenda desta semana ficam com os novos dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos, além da decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE).
Apenas cinco dias antes da escalada, Trump declarava que o Irã havia “concordado em não ter armas nucleares” — mas as sinalizações contraditórias entre Washington e Teerã já antecipavam a tensão que os mercados agora precificam.
A nova fase do conflito coloca em xeque a efetividade da diplomacia americana na região. Israel descumpriu dois acordos em sequência — primeiro o cessar-fogo com o Hezbollah, depois a contenção implícita com o Irã — sem que Washington apresentasse resposta além de postagens nas redes sociais.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, iniciou os negócios às 10h com o mercado de olho no cenário geopolítico. A combinação de tensão no Oriente Médio com a agenda de dados econômicos — inflação brasileira, CPI americano e decisão do BCE — deve ditar a volatilidade ao longo da semana.
