Os Estados Unidos bombardearam instalações militares iranianas na região do Estreito de Ormuz nesta sexta-feira (26) — os primeiros ataques entre as duas potências desde a assinatura de um acordo de paz em 17 de junho.
O Comando Central das Forças Armadas americanas (CentCom) informou que aeronaves dos EUA destruíram depósitos de mísseis e drones iranianos, além de equipamentos de radar no litoral sul do Irã.
A ofensiva foi desencadeada após o presidente Donald Trump acusar o Irã de lançar ao menos 4 drones contra navios comerciais no estreito — um atingiu um navio de carga; os outros três foram abatidos pelas forças americanas.
Trump classificou a ação iraniana como uma “violação tola” do cessar-fogo firmado entre os dois países, alertando que a postura de Teerã comprometia a liberdade de navegação em um corredor vital para o comércio internacional.
O comunicado do CentCom foi direto: “A agressão injustificada de forças iranianas contra navios comerciais violou claramente o cessar-fogo. A conduta perigosa do Irã comprometeu a liberdade de navegação, em um momento em que o fluxo comercial através desse corredor vital é crescente.”
O acordo que durou menos de dez dias
O pacto assinado em 17 de junho era composto por 14 pontos e incluía a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial. O documento previa um prazo de 60 dias — prorrogável — para que EUA e Irã chegassem a consenso sobre questões mais sensíveis, entre elas o programa nuclear iraniano.
O ataque desta sexta representa a primeira ruptura armada desde a assinatura do pacto. O Irã confirmou que houve ataques a um píer na cidade de Sirik, no setor leste do estreito, mas não reconheceu ter violado o acordo.
Na véspera, a ONU havia suspendido a operação de evacuação de navios no Estreito de Ormuz após um porta-contêineres ser atingido por um projétil no Golfo de Omã — incidente que Trump usou como justificativa para os bombardeios desta sexta. Leia mais sobre a suspensão da operação da ONU em Ormuz.
A empresa britânica de segurança marítima UKMTO confirmou que a embarcação foi atingida a cerca de 13,89 km do porto de Dahit, em Omã. As autoridades não confirmaram a autoria dos ataques nem a gravidade dos danos.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, afirmou que a suspensão da operação foi tomada para “reconfirmar se as garantias de segurança necessárias continuam em vigor”. Desde terça-feira (23), cerca de 57 navios com aproximadamente 1.100 tripulantes haviam cruzado o estreito por duas rotas: uma via águas iranianas e outra por águas de Omã, sob supervisão americana.
Irã avisa: fora das rotas, sem garantias
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, entidade criada pelo Irã para administrar o Estreito de Ormuz, alertou na quinta-feira que embarcações fora das rotas estabelecidas não terão garantia de passagem segura. “As consequências decorrentes da passagem por rotas não autorizadas serão de responsabilidade do proprietário, do operador e do comandante da embarcação”, publicou no X.
A fragilidade do pacto ficara evidente desde os primeiros dias: antes mesmo da assinatura formal, o Irã anunciara a cobrança de uma taxa de serviço marítimo para navios que cruzassem Ormuz, contrariando publicamente o que Trump havia prometido como conquista do acordo. Entenda como a disputa tarifária antecipou a crise em Ormuz.
Nos dias seguintes, o Irã passou a restringir unilateralmente o número de navios autorizados a cruzar o estreito por dia — medida que também não constava do acordo —, enquanto as partes trocavam declarações contraditórias sobre o controle da passagem. Veja como a tensão entre EUA e Irã escalou antes dos bombardeios.
