As exportações de petróleo do Golfo Pérsico superaram 10 milhões de barris por dia em junho, uma alta de mais de 3 milhões em relação a maio, segundo análises da Kpler e da Vortexa.
A recuperação veio após o acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã, assinado em 17 de junho, que interrompeu o conflito e reabriu o Estreito de Ormuz para o tráfego de petroleiros.
Mesmo assim, o volume ainda está 40% abaixo dos 16,5 milhões de barris diários registrados um ano antes, antes da guerra no Oriente Médio.
Os Emirados Árabes Unidos lideraram a retomada, com exportações atingindo recorde de 3,7 a 3,8 milhões de barris por dia em junho — mais de 1 milhão acima de maio, segundo dados da Kpler, Vortexa e LSEG. Foram os EAU que viabilizaram o escoamento dos barris represados no Golfo para os mercados internacionais.
A Arábia Saudita elevou seus embarques em 768 mil barris por dia, chegando a 4,52 milhões de barris diários. Na semana mais recente, os carregamentos no terminal de Ras Tanura impulsionaram as exportações sauditas a 6,3 milhões de barris por dia, patamar próximo ao de janeiro.
O fluxo pelo Estreito de Ormuz sinalizou normalização: entre 22 e 28 de junho, 98 petroleiros cruzaram o canal, cerca de 14 por dia — o maior número desde o início do conflito, segundo a empresa de análise marítima BRS. Desse total, 47 saíam carregados do Golfo e 41 entravam vazios, indicando renovada disposição das transportadoras para operar na área.
No pico do bloqueio, a produção real da OPEP+ despencou de 42,77 milhões de barris diários em fevereiro para 33,19 milhões em abril — queda que evidencia a dimensão da retomada atual, ainda que as exportações sigam 40% abaixo do nível pré-guerra. Veja como o bloqueio afetou a produção da OPEP+
Em início de junho, especialistas alertaram que a normalização do Estreito de Ormuz levaria pelo menos oito semanas — previsão que se confirmou: um mês após o cessar-fogo, as exportações do Golfo ainda ficam 40% abaixo dos níveis anteriores ao conflito. Leia a análise dos especialistas sobre Ormuz
Iraque e Kuwait — sem alternativas de escoamento por oleodutos como seus vizinhos do Golfo — recuperaram as exportações para cerca de 800 mil barris por dia cada, segundo a Vortexa. O Kuwait também ampliou a produção para 1,65 milhão de barris diários em junho.
O Irã avançou com mais intensidade: elevou seus embarques em mais de 70%, para 640 mil barris diários, após o relaxamento das restrições impostas pelos Estados Unidos — reflexo direto do acordo de 17 de junho.
Durante o conflito, Arábia Saudita e EAU desviaram parte das exportações por oleodutos terrestres que contornam Ormuz. A estatal emiradense ADNOC também recorreu a navios-tanque para manter os embarques. Iraque e Kuwait, totalmente dependentes do estreito, não tiveram essa saída.
O analista Johannes Rauball, da Kpler, estima que ainda restam cerca de 23 milhões de barris aguardando trânsito pelo estreito. No fim de abril, o volume de petróleo armazenado em navios na região chegou a 96 milhões de barris — o pico da crise.
O acordo encerrou quase quatro meses de conflito, mas seus efeitos sobre combustíveis e inflação global ainda se fazem sentir. Veja o impacto econômico do pós-guerra EUA-Irã
