O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmou nesta semana dois casos de mosca-da-bicheira no Texas, marcando o retorno de uma praga erradicada há 60 anos no país.
As ocorrências foram detectadas em bezerros no condado de Zavala: o primeiro, em 3 de junho, num animal de três semanas; o segundo, dois dias depois, a 9 quilômetros do foco inicial, em um bezerro de um mês de vida.
O ressurgimento ameaça um rebanho bovino americano já fragilizado, que encolheu ao menor nível em 75 anos após secas intensas e alta nos custos de produção.
A ameaça que volta após seis décadas
A mosca-da-bicheira-do-Novo-Mundo é considerada uma das pragas mais destrutivas da pecuária mundial. As fêmeas depositam ovos em feridas abertas de animais de sangue quente, e as larvas que emergem alimentam-se de tecido vivo — podendo matar o animal se não tratadas a tempo.
A praga havia sido erradicada dos EUA por meio de um programa de controle biológico que durou décadas. Seu ressurgimento no Texas agora eleva o alerta para um setor já pressionado pela combinação de secas prolongadas e custos crescentes de produção.
O retorno da bicheira acontece num momento em que o governo americano tentava estabilizar um mercado de carne em crise: o rebanho bovino chegou ao menor nível em 75 anos em 2025, situação que levou Trump a assinar decretos de emergência para ampliar importações de carne bovina e conter a alta dos preços. A nova praga adiciona pressão extra sobre o setor.
Para conter a disseminação, o USDA anunciou a criação de uma zona de contenção na área afetada e a ampliação da liberação de moscas estéreis — técnica que impede a reprodução da praga ao introduzir insetos que não geram descendentes férteis.
O que fazer e o que não temer
O USDA alertou que as larvas da mosca-da-bicheira podem, em casos raros, infestar seres humanos por meio de feridas abertas. O órgão recomenda que moradores e produtores da região examinem animais em busca de feridas com secreção, aumento de tamanho, sinais de desconforto ou larvas visíveis em aberturas naturais do corpo — como nariz, orelhas, órgãos genitais e umbigo de animais recém-nascidos.
Diante de qualquer suspeita, a orientação é acionar imediatamente a autoridade estadual de saúde animal ou um veterinário credenciado pelo USDA.
Dudley Hoskins, subsecretário de Programas de Marketing e Regulação, afirmou que modelos preditivos já apontavam a entrada da praga nos EUA em 2025. Segundo ele, as ações preventivas da administração Trump compraram tempo para a resposta atual ao surto.
O departamento reforçou que o abastecimento alimentar dos EUA permanece seguro: a mosca-da-bicheira não infesta carnes, frutas, vegetais ou outras fontes de alimento, limitando seus danos ao rebanho vivo.
