O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi categórico nesta terça-feira (2): o PIX será protegido e não integra nenhuma negociação com os Estados Unidos. “Não está em debate”, afirmou ele, sinalizando que o governo brasileiro não cederá às pressões americanas sobre o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
A declaração responde à investigação aberta pelos EUA em julho de 2025, que contesta a atuação do BC em pagamentos digitais — uma ofensiva que, na prática, mira o PIX, único sistema público com essa finalidade no país.
A investigação americana foi iniciada com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. O documento original citava “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo os oferecidos pelo Estado brasileiro — o que, na prática, aponta diretamente para o PIX. Washington acusa o Banco Central de favorecer o sistema em detrimento de empresas americanas que atuam no setor de pagamentos.
A resposta do governo foi articulada e coletiva. Mais cedo nesta terça-feira, Alckmin havia classificado a proposta americana como ‘injusta’ e defendido o PIX como ‘patrimônio nacional’ após reunião com Durigan e o ministro Márcio Elias Rosa — a mesma cúpula que antecedeu as declarações do titular da Fazenda. “O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo, tecnologia a serviço da sociedade, economia, sem custos para a população”, declarou o vice-presidente.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, também integrou o coro de defesa ao instrumento. A convergência entre Fazenda, Desenvolvimento e vice-presidência indica que a proteção ao PIX foi definida como linha vermelha pelo governo Lula.
Na véspera, Durigan já havia alertado que o PIX poderia ser bloqueado caso o Tesouro americano sancionasse bancos brasileiros por suposta ligação com o PCC — e anunciou viagem a Washington para conter os efeitos da designação dos grupos como organizações terroristas. O risco concreto ao sistema reforça o tom defensivo adotado pelo ministro.
A postura firme contrasta com o encontro entre Lula e Trump em maio, quando o presidente americano sequer mencionou o PIX — o que levou Lula a brincar que esperava que o americano “criasse um PIX um dia”. Em poucas semanas, o instrumento deixou de ser piada diplomática para se tornar objeto de disputa bilateral.
O Brasil recebe as críticas com indignação, como resumiu o próprio Alckmin. A articulação entre os três ministérios sinaliza que o governo está disposto a tratar a proteção ao PIX como prioridade inegociável nas negociações com Washington.
