Uma greve geral convocada para esta quarta-feira (3) em Portugal já começa a suspender voos entre o Brasil e a Europa desde a véspera, com TAP, Azul e Latam reduzindo ou cancelando operações na rota transatlântica.
O Aeroporto de Lisboa orienta passageiros a verificar o status dos voos antes de sair de casa, diante do risco de cancelamentos, atrasos e congestionamento nos terminais.
A paralisação foi convocada pela CGTP como protesto contra uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo governo português e encaminhada ao Parlamento em maio.
O que cada companhia aérea vai operar
A TAP Air Portugal informou que operará apenas 79 voos em toda a sua malha durante o período de serviços mínimos. As demais operações previstas para 3 de junho serão suspensas — e qualquer voo fora dessa lista deve ser considerado cancelado.
Nas rotas com origem ou destino no Brasil, a companhia manterá 16 voos entre os dias 2 e 3 de junho.
A Azul cancelou quatro voos entre Campinas e Lisboa nos mesmos dias. Segundo a empresa, os passageiros afetados estão sendo comunicados individualmente e poderão solicitar remarcação.
A Latam não divulgou comunicado oficial sobre a paralisação, mas o voo LA8146 — que partiria de Guarulhos para Lisboa no dia 2 de junho — está indisponível no sistema de vendas da companhia. O voo de retorno (LA8147), previsto para o dia seguinte, também não aparece disponível para reserva.
Por que a greve foi convocada
A CGTP — Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — convocou a paralisação em resposta a uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo Conselho de Ministros e enviada ao Parlamento em maio. Os sindicatos afirmam que as mudanças tornam as relações de trabalho mais precárias, ao ampliar a contratação temporária e flexibilizar regras sobre jornada e vínculos empregatícios.
O governo português defende que a proposta busca aumentar a competitividade das empresas e adaptar o mercado às novas demandas da economia — posição que divide o debate entre patronato e centrais sindicais.
Além dos aeroportos, a greve deverá paralisar o Metro de Lisboa, os Comboios de Portugal (CP) e parte da operação da Carris, responsável pelo transporte urbano da capital. Passageiros com conexões em Lisboa devem considerar tempo adicional para deslocamentos internos no dia da paralisação.
O aeroporto de Lisboa já é, de forma estrutural, o principal ponto de entrada — e de fricção — para brasileiros que tentam acessar a Europa. Portugal já é o principal ponto de bloqueio para brasileiros na Europa: a UE negou entrada a quase 3 mil brasileiros em 2025, o pior resultado em seis anos, com o terminal lisboeta concentrando boa parte das recusas. Com a greve, a experiência nos terminais tende a ser ainda mais tumultuada.
Passageiros com viagens marcadas para os dias 2 e 3 de junho devem acessar os canais oficiais das companhias aéreas para verificar o status dos voos e solicitar remarcação gratuita, quando disponível. O Aeroporto de Lisboa recomenda confirmar a operação do voo antes de seguir para o terminal.