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Falsificação militar de GPS afeta mais de 800 voos diários e ameaça aviação civil

Casos no Golfo Pérsico saltaram de 99 para 5.381 em um mês; Báltico registra alta de 245% em um ano
Avião comercial sobrevoando o Golfo Pérsico, ilustrando riscos da falsificação GPS aviões comerciais

Mais de 800 voos são afetados por dia por falsificação de GPS em todo o mundo — uma tática de guerra eletrônica que passou a comprometer a aviação civil em escala global.

Um avião da Força Aérea Real Britânica com o secretário de Defesa John Healey a bordo teve a navegação enganada ao sobrevoar a Estônia: o transponder indicou posição 300 quilômetros dentro da Rússia. Outros cem voos com passageiros na região sofreram o mesmo problema no mesmo dia.

O fenômeno, o spoofing, usa transmissores terrestres para emitir sinais GPS falsos mais potentes que os de satélite, substituindo a localização real da aeronave. A prática é legal — e se intensifica em zonas de conflito armado.

Números revelam escala da ameaça

Na região do Mar Báltico, os casos de falsificação de GPS saltaram de 17.243 em 2024 para 59.447 em 2025, segundo dados da consultoria SkAI Data Services, compartilhados com o serviço mundial da BBC. O aumento acompanha o uso crescente de drones no conflito entre Rússia e Ucrânia — o spoofing militar serve para desorientar mísseis e veículos aéreos não tripulados inimigos que dependem de navegação por satélite.

No Golfo Pérsico, o salto foi ainda mais abrupto: de 14 voos afetados em janeiro para 99 em fevereiro e 5.381 em março — justamente após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro. Outras rotas movimentadas na Europa, no Oriente Médio e na Ásia também registram interferências, com média de mais de 800 voos afetados diariamente no mundo em 2026.

Pilotos forçados a improvisar

No dia em que o avião britânico foi afetado, os pilotos da RAF precisaram recorrer a um sistema de navegação mais antigo para completar o voo. O Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou que a segurança da aeronave não foi comprometida.

O piloto estoniano Artur Rodionov, da Diamond Sky Aviation, relatou ter visto a localização da aeronave saltar da Lituânia para o Mar do Norte — discrepância de mais de 1.600 quilômetros. Sua empresa adotou protocolos específicos, incluindo desativar o GPS ao sobrevoar áreas com histórico de interferência, para evitar que outros sistemas de bordo sejam corrompidos.

Perto da fronteira entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, o piloto britânico Sam Rutherford viu os sistemas de navegação e o piloto automático paralisarem. Ele usou a bússola magnética e pediu apoio ao controle de tráfego aéreo — mas alertou: “Se eu tivesse encontrado mau tempo, pouco combustível e fosse noite, a situação teria sido muito diferente.”

Risco real e resposta aquém do necessário

Além de desorientar pilotos, o spoofing oferece riscos concretos à segurança. Tanja Harter, presidente da European Cockpit Association — que representa 40 mil pilotos —, alerta que uma posição falsa pode levar pilotos a desativar alertas automáticos de colisão com o solo, acionados quando há risco de choque com montanhas ou obstáculos. Sistemas de radar para evitar mau tempo também podem falhar. Harter afirma que a combinação desses fatores “está comprometendo a segurança a bordo das aeronaves”.

Um documento interno da Eurocontrol, marcado como “não destinado ao público geral” e obtido pela BBC, vai além do discurso oficial: alerta que o fenômeno “mina os princípios atuais de segurança da cabine de comando”. Publicamente, a instituição afirma que as aeronaves têm “medidas de mitigação em vigor” e que o controle de tráfego em terra pode guiar os voos durante interferências.

Interferir no GPS não é ilegal. A União Internacional de Telecomunicações, da ONU, autoriza a prática para fins de defesa — mas expressou “profunda preocupação” com os riscos à aviação. As soluções estudadas incluem atualização de software para filtrar interferências, uso de antenas direcionais e novos sistemas de navegação que funcionem em paralelo ao GPS.

Todd Humphreys, professor de engenharia aeroespacial da Universidade do Texas, avisa que implementar mudanças em equipamentos críticos leva tempo — e que o impacto pode ir além dos céus: “Trata-se do tráfego marítimo, das pessoas dirigindo nas estradas. Sempre que um conflito eclodir no futuro, podemos esperar que o GPS seja uma das primeiras vítimas.”

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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