Dinamarca detectou uma ameaça sistemática após drones não identificados sobrevoarem aeroportos civis e militares por duas noites seguidas. O governo atribui os voos a um agente profissional e investiga possível conexão com ações russas recentes. Apesar de não haver ameaça militar direta, o país reforçou a segurança e alertou para riscos de ataques híbridos antes de encontro da União Europeia em Copenhague.
Os drones foram avistados em Aalborg, Esbjerg, Sonderborg e na base aérea de Skrydstrup, afastando-se por conta própria. A polícia segue investigando a origem dos equipamentos.
Incidentes recentes e resposta do governo
Na segunda-feira (22), drones não identificados já haviam sobrevoado o aeroporto de Copenhague e o de Oslo, na Noruega, interrompendo o tráfego aéreo por horas. Os episódios ocorrem após incursões de drones russos na Polônia e Romênia, além de caças russos no espaço aéreo da Estônia. Até o momento, autoridades dinamarquesas e europeias não estabeleceram ligação direta entre os casos.
O governo dinamarquês afirmou não haver ameaça militar direta, mas anunciou a aquisição de novos sistemas para detectar e neutralizar drones. “O objetivo desse tipo de ataque híbrido é espalhar medo, dividir e nos intimidar”, declarou o ministro da Justiça, Peter Hummelgaard. O aeroporto de Aalborg foi fechado temporariamente, reabrindo após avaliação geral da situação. A decisão de não abater os drones foi tomada por questões de segurança civil, segundo o chefe do Estado-Maior, Michael Hyldgaard.
A polícia relatou que os drones tinham luzes e foram observados do solo, mas não conseguiu identificar o modelo nem os operadores. Esbjerg e Sonderborg não foram fechados por falta de voos previstos.
Suspeitas sobre a Rússia e reação internacional
Uma investigação foi aberta com apoio dos serviços de inteligência e das Forças Armadas. Após o incidente em Copenhague, a primeira-ministra Mette Frederiksen classificou o episódio como “o ataque mais grave contra uma infraestrutura crítica” no país, sem descartar envolvimento da Rússia. Frederiksen relacionou o caso a outros ataques de drones, violações de espaço aéreo e ciberataques contra aeroportos europeus. Polônia, Romênia e Estônia responsabilizaram a Rússia, que nega envolvimento. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, chamou as acusações de “infundadas”.
Os incidentes ocorrem após o anúncio de que a Dinamarca comprará armas de precisão de longo alcance, alegando ameaça “duradoura” da Rússia. No último fim de semana, aeroportos em Bruxelas, Londres, Berlim e Dublin também foram afetados por ciberataques de origem não revelada.
Resposta da Otan e inovação em defesa
A Otan intensifica esforços para enfrentar ameaças de drones e interferências em sinais de GPS. Navios e aviões têm sofrido tentativas coordenadas de bloqueio, preocupando autoridades. “Os sinais de GPS, fundamentais para o posicionamento via satélite, são alvo frequente de tentativas de interferência. Por isso, a Otan está testando um sistema pioneiro para manter a qualidade do sinal mesmo em ambientes hostis”, explica o capitão de fragata Julien Dechanet, do Comando Aliado de Transformação (ACT).
A Aliança atlântica revisou sua estratégia e buscou parcerias com startups europeias especializadas em soluções antidrone, algumas já usadas pelas forças ucranianas. O desafio é inovar para evitar uso de armamentos de alto espectro contra drones simples. “Hoje, vence a guerra quem consegue inovar mais rápido. A cada nova ameaça, o objetivo é inovar antes do adversário”, afirma Dechanet.