Economia

Agro brasileiro enfrenta dupla ameaça de El Niño e fertilizantes mais caros

Setor cresceu 2% no 1º trimestre de 2026, mas retração até 2027 já preocupa especialistas
Plantação de soja com mapa térmico do El Niño ilustrando o impacto El Niño agronegócio brasileiro

Depois de registrar crescimento de 12% em 2025 — resultado considerado fora da curva —, o agronegócio brasileiro começa a perder fôlego. A agropecuária avançou 2% no primeiro trimestre deste ano, segundo o IBGE, mas especialistas preveem queda de 0,9% no PIB do setor até o fim de 2026.

Dois vetores concentram as preocupações: a iminente formação do El Niño, prevista para junho ou julho, e a alta dos fertilizantes puxada pela guerra no Oriente Médio. A combinação ameaça os plantios desta temporada e pode comprometer as colheitas de 2027.

El Niño à espreita das lavouras

O fenômeno climático ainda não foi oficialmente confirmado, mas Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, projeta que o El Niño deve ser “decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho”. A probabilidade de formação já supera 90% a partir de setembro, segundo a NOAA — e o histórico do fenômeno no Brasil é de estragos severos nas regiões produtoras.

O último El Niño de grande intensidade ocorreu em 2014 e 2015, quando o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história. O padrão esperado é o mesmo: secas intensas no Centro-Norte e chuvas excessivas no Sul.

As regiões mais expostas incluem o Matopiba — polo de soja, milho e algodão formado por partes do Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia — além de Mato Grosso, maior produtor de soja do país, e o Pará. Nesses estados, a estiagem pode forçar o adiamento dos plantios e reduzir as colheitas em 2027.

O Cemaden já enviou nota técnica ao governo federal alertando para a possibilidade de um El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027, exatamente o horizonte que os especialistas do agronegócio apontam como mais crítico para as safras brasileiras.

Se confirmado, o fenômeno não deve afetar as colheitas deste ano, pois grande parte dos grãos já foi plantada. O impacto imediato recairá sobre quem precisará tomar decisões de plantio em meio à incerteza climática.

Fertilizantes, ciclo pecuário e juros elevados pressionam o campo

Os fertilizantes estão no centro das preocupações financeiras do setor rural. Com a guerra no Oriente Médio pressionando os preços internacionais, os produtores já estão pagando mais caro pelos insumos que serão usados nos próximos ciclos de plantio.

Segundo Fábio Serigati, da FGV, uma alternativa tem sido substituir fertilizantes mais concentrados — e mais caros — por versões menos concentradas. O problema é que essa troca aumenta outros custos: é preciso aplicar mais produto, o que eleva o consumo de combustível e os gastos com transporte e máquinas agrícolas.

O impacto da alta dos insumos sobre os preços dos alimentos só deve chegar ao consumidor em 2027. As lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito no Oriente Médio.

Na pecuária, o setor atravessa uma virada de ciclo natural: após três anos de abates recordes — inclusive de fêmeas —, os produtores voltaram a reter vacas nas fazendas para ampliar o rebanho de cria. O movimento reduz a oferta de carne no curto prazo, mas é necessário para a sustentabilidade do setor.

Juros elevados completam o quadro adverso. O endividamento rural crescente pode levar produtores a reduzir a área plantada ou a adotar tecnologias menos eficientes, comprometendo o potencial produtivo do agronegócio brasileiro nos próximos anos, avalia Serigati.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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