Saúde

Variante rara de ebola mata 131 no Congo e OMS convoca comitê de emergência

Vírus Bundibugyo circulou sem ser detectado por semanas; Uganda já registra caso e morte ligados ao surto
Surto de ebola no Congo: resposta de saúde global e crise humanitária na República Democrática do Congo

A República Democrática do Congo enfrenta uma das escaladas mais rápidas de um surto de ebola em anos. O país registra 513 casos suspeitos e 131 mortes — salto expressivo em relação aos cerca de 300 casos contabilizados apenas um dia antes.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (19) estar “profundamente preocupado com a escala e a velocidade” do avanço da epidemia no leste do país. A organização já havia declarado emergência internacional no domingo (17) e convocou comitê de crise.

O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do ebola para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados — fator que eleva o risco da resposta sanitária e concentra as preocupações da OMS. O aparecimento de casos em áreas urbanas e a morte de profissionais de saúde estão entre os pontos mais críticos monitorados pela agência.

A primeira morte ligada ao surto ocorreu em 24 de abril, em Bunia. O corpo da vítima foi transportado para Mongbwalu, uma região de mineração com intensa circulação de pessoas — o que pode ter acelerado a disseminação do vírus antes de qualquer alerta formal.

A resposta foi retardada por semanas. Testes iniciais apontaram resultado falso negativo para o tipo mais comum do vírus, o Zaire, levando autoridades locais a descartarem o ebola como causa das mortes. A confirmação oficial só veio em 14 de maio, após a OMS ser alertada sobre dezenas de óbitos em Mongbwalu, incluindo quatro profissionais de saúde.

Casos foram confirmados em Bunia, Goma, Butembo, Mongbwalu e Nyakunde. Uganda registrou um caso e uma morte em pessoas que haviam viajado do Congo. Um médico americano também está entre os infectados em Bunia — ele trabalhava em hospital local quando apresentou os primeiros sintomas da doença.

No dia anterior, o CDC americano havia confirmado que um profissional de saúde dos EUA contraiu a doença e seria transferido para a Alemanha — enquanto outros seis americanos foram identificados como expostos ao vírus.

Crise humanitária agrava o cenário no leste do Congo

O avanço do surto ocorre numa região já devastada por conflitos armados e deslocamentos forçados. Segundo a ONU, apenas a região de Ituri abriga mais de 273 mil deslocados internos — população altamente vulnerável ao contágio e com acesso limitado a serviços básicos de saúde.

Moradores de Bunia relataram medo diante do avanço do vírus. Uma habitante da cidade contou à Associated Press que voltou a produzir máscaras de proteção artesanalmente, lembrando das consequências devastadoras de surtos anteriores da doença.

O ebola é transmitido pelo contato com fluidos corporais — sangue, vômito e sêmen. Historicamente, a doença se espalhou durante cuidados com pacientes e rituais funerários com contato direto com corpos das vítimas. Os sintomas incluem febre, dores musculares, diarreia, vômitos e sangramentos inexplicáveis.

A escalada do surto ocorre num momento de fragilidade institucional da OMS, que se reuniu em assembleia anual em Genebra com orçamento reduzido e incertezas sobre a permanência dos Estados Unidos e da Argentina na organização.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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