Economia

Inadimplência bancária bate recorde histórico às vésperas do Desenrola 2.0

BC aponta taxa de 4,4% em abril, patamar inédito desde 2011; endividamento das famílias supera em quase dez pontos a média histórica
Logos bancários em confronto com logo Desenrola Brasil, simbolizando inadimplência bancária recorde histórico

O Banco Central registrou em abril a maior taxa de inadimplência bancária de sua série histórica, iniciada em 2011: 4,4% das operações de crédito com atraso acima de 90 dias. O índice empatou com o pico de fevereiro e chegou ao topo da série às vésperas do Desenrola 2.0.

Lançado em maio, o programa federal mira dívidas bancárias de trabalhadores com renda de até R$ 8.105 mensais. O recorde veio com 82,8 milhões de brasileiros endividados — quase metade da população —, segundo a Serasa Experian.

Endividamento acima da média histórica

O indicador do Banco Central considera operações com atraso superior a 90 dias, tanto de pessoas físicas quanto de empresas. A taxa de 4,4% em abril igualou o recorde de fevereiro e superou qualquer patamar registrado desde março de 2011, quando a série histórica revisada teve início.

O endividamento das famílias acompanhou o quadro adverso. A relação entre dívidas e renda acumulada em doze meses ficou em 49,8% em abril — apenas 0,1 ponto abaixo de março, mas 7,9 pontos percentuais acima da média histórica de 41,9%.

Levantamento da Serasa Experian revelou que 47% das dívidas dos brasileiros estão concentradas em bancos — exatamente o segmento que o Desenrola 2.0 mira, com o desemprego respondendo por 38% dos casos de inadimplência financeira. Em março, os débitos somaram R$ 557,7 bilhões.

Como funciona o Desenrola 2.0

O programa cobre dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, nas modalidades cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Para participar, o trabalhador precisa ter renda mensal de até R$ 8.105 — cinco salários mínimos.

Os bancos oferecerão novos empréstimos para a quitação dos débitos em atraso. O trabalhador também pode usar 20% do saldo do FGTS ou R$ 1 mil — o que for maior — para pagar parcial ou integralmente as dívidas elegíveis ao programa.

O recorde de inadimplência em abril reforça a urgência do Desenrola 2.0, mas a eficácia do programa como solução de longo prazo permanece sob escrutínio. Especialistas alertaram, logo após o lançamento, que o Desenrola 2.0 tende a aliviar o sintoma — a dívida acumulada — sem enfrentar as causas estruturais que realimentam o ciclo de inadimplência.

O histórico sustenta essa leitura. Desde 2011, a média de comprometimento da renda das famílias ficou em 41,9%. O patamar atual, de 49,8%, está quase dez pontos acima dessa referência e persiste elevado mesmo após ciclos anteriores de renegociação de dívidas.

O perfil das dívidas elegíveis também chama atenção: cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal são modalidades tipicamente atreladas a juros mais altos, o que contribui para a rápida reacumulação de débitos após renegociações. O uso do FGTS como instrumento de pagamento levanta dúvidas adicionais sobre o impacto de longo prazo na reserva de seguridade do trabalhador.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Governo registra marca PIX como ‘alto renome’ no INPI após pressão dos EUA

OMS e OPAS apoiam suspensão da vacina Butantan contra dengue no Brasil

Petrobras compra 50% do bloco Itaimbezinho no pré-sal da Bacia de Campos

Inmet detecta aquecimento do Pacífico e alerta para El Niño em 2026