Três semanas após o relançamento do Desenrola 2.0, apenas 10% dos brasileiros afirmam ter sido beneficiados pelo programa — enquanto 69% da população segue endividada. Os dados são de pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10).
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O Novo Desenrola — relançado no início de maio como Desenrola 2.0 — prevê renegociação de dívidas com descontos e a possibilidade de troca por uma dívida mais barata. O público-alvo são brasileiros que ganham até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.
Apesar do alcance proposto, 88% dos entrevistados disseram não ter sido alcançados pelo programa. Outros 2% não souberam responder.
O contraste com os dados oficiais é expressivo: os números do governo, divulgados em 3 de junho, contabilizavam 1,4 milhão de renegociações e R$ 20 bilhões movimentados — o que torna ainda mais revelador o fato de apenas 10% dos ouvidos pela Quaest afirmarem ter sentido os efeitos do programa.
Aprovação dividida pelo espectro político
A avaliação do Desenrola 2.0 varia de forma expressiva conforme o alinhamento político. Entre os lulistas, 70% consideram a iniciativa uma boa ideia. Entre bolsonaristas, o índice cai para 33%.
O padrão se repete nos demais grupos: 73% dos eleitores de esquerda não lulistas avaliam positivamente o programa, contra apenas 29% da direita não bolsonarista. Entre os independentes, a aprovação fica em 51%.
Endividamento pesado recua, mas maioria ainda deve
A pesquisa também mapeia a intensidade do endividamento. Em junho, 23% dos brasileiros afirmaram ter muitas dívidas — queda em relação aos 28% registrados em maio. O percentual dos que dizem ter poucas dívidas ficou em 46%, praticamente estável ante os 45% do mês anterior.
A parcela que declarou não ter dívida alguma subiu de 27% para 30% no período, a maior variação positiva do levantamento.
O cenário em que o programa foi concebido é de crise estrutural: antes do lançamento do Desenrola 2.0, a inadimplência havia chegado a 12,3%, o maior nível em três anos, com o endividamento total das famílias atingindo recorde histórico de 80,4% da renda.
A melhora marginal observada em junho pode sinalizar um efeito inicial do programa — mas a percepção da maioria dos brasileiros ainda aponta para um alívio que, na prática, ainda não chegou.
