Política

Caiado acusa governo de ‘enrolar’ brasileiros antes de lançar o Desenrola

Pré-candidato à presidência critica juros 'de agiota' e questiona se programa de renegociação resolve a raiz do endividamento das famílias
Caiado critica juros governo Desenrola em discurso expressivo com logo do programa ao fundo

O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou nesta segunda-feira (15) que o governo federal “enrolou a população” ao estimular consumo e empréstimos para depois permitir a cobrança de juros que classificou como “de agiota”.

A declaração foi feita no VEJA Fórum Rumos do Brasil, em São Paulo, durante painel sobre agronegócio e meio ambiente — que rapidamente se tornou palco de críticas ao cenário econômico e ao Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas.

Na avaliação de Caiado, o governo agiu de forma contraditória: incentivou os brasileiros a comprar, produzir e contrair crédito, mas depois abriu espaço para que instituições financeiras cobrassem taxas abusivas — um roteiro que, segundo ele, empurrou famílias ao endividamento antes de qualquer programa de alívio.

O cenário que o pré-candidato denuncia tem respaldo nos dados: em abril, o Banco Central registrou a maior taxa de inadimplência bancária de sua série histórica, com 4,4% das operações em atraso — recorde que antecedeu o lançamento do Desenrola 2.0. Leia mais sobre o recorde histórico de inadimplência antes do programa.

O que o Desenrola 2.0 entregou

O balanço oficial divulgado pelo governo em 3 de junho contabilizou R$ 20 bilhões em dívidas renegociadas, com desconto médio de 85% sobre o valor original. Foram realizadas 1,4 milhão de renegociações; com os abatimentos, o estoque total caiu para R$ 2,7 bilhões. Veja o balanço completo do Desenrola 2.0.

Na modalidade voltada às famílias, os bancos oferecem novos empréstimos para quitar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O programa cobre débitos contratados até 31 de janeiro de 2026 com atraso entre 90 dias e dois anos.

A crítica de Caiado encontra eco em pesquisa Quaest: três semanas após o relançamento, apenas 10% dos brasileiros afirmavam ter sido beneficiados pelo Desenrola 2.0, enquanto 69% ainda se declaravam endividados — números que reforçam o argumento de que o programa, apesar do volume nominal, não chegou à maioria das famílias que precisavam. Veja os dados da pesquisa sobre o alcance real do Desenrola 2.0.

O ataque aos juros altos e ao Desenrola posiciona Caiado no campo oposicionista às vésperas das eleições de 2026. Ao migrar o debate de um painel sobre meio ambiente e agronegócio para o terreno econômico, o governador de Goiás sinalizou onde pretende construir diferenciação eleitoral: na agenda do custo de vida e do crédito caro para as famílias brasileiras.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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