Quase metade do limite estimado pelo governo já foi comprometida: 3,3 milhões de trabalhadores solicitaram o uso de R$ 3,88 bilhões do FGTS para abater dívidas bancárias no Desenrola 2.0.
As regras permitem usar até 20% do saldo do Fundo de Garantia, ou R$ 1 mil — o que for maior. A Caixa Econômica Federal transfere o valor diretamente ao banco credor, sem que o trabalhador precise intermediar o repasse.
Quem pode usar e como funciona
Desde o fim de maio, os trabalhadores já podem consultar o saldo do FGTS pelo aplicativo e dar o primeiro passo para aderir ao Novo Desenrola — o dinheiro vai direto ao banco credor, sem passar pelas mãos do devedor.
O programa tem como público-alvo brasileiros com renda de até cinco salários mínimos — R$ 8.105. São elegíveis dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, nas modalidades cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Os juros máximos são de 1,99% ao mês, com descontos entre 30% e 90% sobre o valor principal. O percentual exato varia conforme a linha de crédito e o prazo de pagamento. Uma calculadora estará disponível para que o trabalhador simule o benefício antes de aderir.
TCU investiga fundo e programa acumula R$ 20 bi em renegociações
Em balanço divulgado no início de junho, o Desenrola 2.0 já registrava R$ 20 bilhões em renegociações com desconto médio de 85% sobre o valor original das dívidas — o que fez o passivo total recuar de R$ 20 bilhões para R$ 2,7 bilhões, com 1,4 milhão de acordos fechados.
Para viabilizar as negociações, o governo federal criou um fundo com recursos públicos que cobre eventuais calotes junto às instituições financeiras. Até o fim de maio, R$ 5,7 bilhões já haviam sido transferidos ao fundo.
A operação, porém, está sob escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU), que analisa se o uso do dinheiro público como garantia de crédito privado é compatível com as normas fiscais — o ponto mais sensível do modelo adotado pelo Desenrola 2.0.
