O programa Desenrola 2.0 renegociou R$ 20 bilhões em dívidas de famílias brasileiras em menos de um mês de operação, com desconto médio de 85% sobre o valor original — reduzindo o passivo para R$ 2,7 bilhões.
Os dados foram apresentados pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, durante reunião ministerial nesta quarta-feira (3). Ao todo, foram realizadas 1,4 milhão de renegociações desde o lançamento do programa, no início de maio.
O Desenrola 2.0 é voltado a brasileiros com renda mensal de até cinco salários-mínimos endividados no sistema bancário. O programa abrange débitos contratados até 31 de janeiro de 2026 com atraso entre 90 dias e dois anos — contemplando cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Para quitar ou reduzir as parcelas, o trabalhador pode mobilizar até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil, o que for maior. O uso do fundo foi um dos diferenciais do programa em relação às edições anteriores.
A aceleração das adesões foi expressiva. Em balanço divulgado em maio, o Desenrola 2.0 havia movimentado R$ 1,7 bilhão em renegociações sobre um passivo de R$ 10 bilhões — volume que saltou para R$ 20 bilhões no novo balanço desta quarta-feira, evidenciando a rapidez com que as famílias aderiram ao programa.
A iniciativa foi estruturada em meio a uma crise de crédito de proporções históricas. Com 82,8 milhões de brasileiros negativados e o endividamento das famílias no recorde de 80,4% da renda, o governo apostou numa combinação de descontos elevados e uso do FGTS para destravar as negociações.
O Desenrola 2.0 vai além das dívidas das famílias. Na frente estudantil, o Desenrola do Fies registrou 82 mil renegociações. Já o Desenrola das empresas movimentou R$ 11 bilhões em 85 mil operações, ampliando o alcance total do programa para diferentes perfis de devedores.
O governo federal também sinalizou que prepara uma nova modalidade dentro do Desenrola — desta vez voltada a trabalhadores que estão com as contas em dia, mas enfrentam dificuldade para honrar os compromissos mensais. Os detalhes da iniciativa ainda não foram divulgados publicamente.
O volume negociado, porém, não silencia questionamentos sobre efetividade no longo prazo. Especialistas alertam que programas de renegociação aliviam sintomas sem tocar nas causas estruturais do endividamento — e que, sem educação financeira, os efeitos tendem a ser pouco duradouros.
