A PEC que extingue a escala 6×1 deve ser aprovada ainda nesta semana na Câmara dos Deputados, segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). No Senado, onde a votação também é vista como certa, a batalha real é outra: o empresariado quer quadruplicar o tempo de transição.
O prazo aprovado na Câmara prevê redução de duas horas de trabalho semanal nos primeiros 60 dias após a promulgação e mais duas horas — chegando a 40 horas semanais — um ano depois. Os empresários querem esticar esse período para quatro anos.
Nesta terça-feira (26), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebe representantes do empresariado para tratar do tema. Alcolumbre tem sinalizado a interlocutores que a tendência é de aprovação — mas as condições ainda estão em aberto.
A proposta do patronato é dividir a transição em duas etapas: redução de duas horas na jornada após dois anos da promulgação e mais duas horas decorridos quatro anos. O formato contrasta com o calendário aprovado na Câmara, que concentra toda a adaptação em até 13 meses.
Senado pode diferenciar prazos por setor
O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ do Senado, considera provável a aprovação da PEC ainda em 2026, mas avalia que nem todos os setores precisam de quatro anos para se adaptar. A expectativa é que o Senado estabeleça prazos de transição diferenciados por setor — uma saída que pode contemplar parte das demandas do empresariado sem ampliar o prazo geral.
A transição de um ano definida na Câmara foi o ponto não consensual do texto aprovado — e é justamente essa janela que o empresariado quer esticar para quatro anos nas negociações com senadores.
O ano eleitoral pesa sobre os cálculos do patronato. O empresariado reconhece que não será possível barrar a votação — e aposta nisso para concentrar esforços na negociação sobre prazos. A lógica é pragmática: se a aprovação é inevitável, o campo de atuação se estreita a quanto tempo haverá para adaptar os modelos de negócio.
Demanda antiga, nova arena
Na comissão especial da Câmara, confederações patronais já defendiam prazos diferenciados por setor e criticavam a pressa em votar a medida em ano eleitoral — o mesmo argumento que retorna à mesa nas conversas com senadores.
A diferença é que o cenário mudou: com a Câmara já tendo votado, o Senado é a última janela para alterações. Qualquer mudança devolve o texto à Câmara para nova apreciação — risco que, paradoxalmente, limita a própria margem de manobra do empresariado nas negociações.
