O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado anunciou nesta quarta-feira (1º), em Brasília, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como seu candidato a vice-presidente nas eleições de outubro.
O anúncio ocorre 20 dias antes do início das convenções partidárias, marcadas para o dia 20 de julho, e consolida uma chapa inteiramente formada pelo PSD — sem aliança com outra legenda.
Kassab seguirá no comando do partido e liderará a construção de apoios regionais a Caiado nos estados.
A escolha de Kassab para a vice-presidência revela as dificuldades que Caiado enfrentou para fechar uma coligação com outra legenda. Ao optar por uma chapa de partido único, a candidatura abre mão de ampliar sua base formal, mas ganha a liderança de um dos políticos mais experientes em articulação partidária do país.
O presidente do PSD indicou que a redução da carga tributária será uma das bandeiras centrais da pré-candidatura. Mesmo na condição de vice, Kassab manterá a presidência do partido, o que lhe permite atuar simultaneamente na campanha presidencial e na costura de alianças estaduais de apoio à chapa.
A movimentação de Kassab em direção a Caiado não é recente. Em junho, o presidente do PSD já havia reconhecido um desgaste muito grande na pré-campanha de Flávio Bolsonaro e migrado seu apoio para o ex-governador de Goiás — movimento que culminou agora na formalização da candidatura conjunta.
Estratégia vai além da disputa pelo Planalto
A chapa de partido único tem uma função que ultrapassa a corrida presidencial. O PSD avalia que Caiado e Kassab juntos oferecem um palanque neutro para candidatos ao Congresso que queiram se distanciar da polarização entre o governo Lula e o campo bolsonarista — uma aposta arriscada, mas calculada para um ciclo eleitoral dominado por dois blocos.
A estratégia depende da capacidade de Kassab de convencer lideranças regionais a embarcar na chapa sem romper com seus próprios aliados locais. O duplo papel — presidente de partido e vice-presidenciável — é incomum e exigirá equilíbrio político constante ao longo da campanha.
Com a chapa formada, Caiado avança sobre uma candidatura que vem se estruturando há semanas. Em junho, o ex-governador já havia anunciado propostas de segurança pública como eixo central de sua plataforma presidencial, incluindo a classificação de facções criminosas como organizações terroristas e o uso do Exército na Amazônia.
