Política

Caiado anuncia Aldo Rebelo como coordenador político de campanha

Ex-ministro de Lula e Dilma é convidado por Caiado e Kassab para ampliar diálogo com a sociedade
Aldo Rebelo coordenador de campanha ao lado de Ronaldo Caiado em composição editorial jornalística

Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara e ex-ministro de Lula e Dilma, foi anunciado na quinta-feira (30/7) como coordenador político da campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). O convite partiu do próprio candidato e do vice Gilberto Kassab, durante reunião em São Paulo com Heráclito Fortes.

Segundo a equipe de campanha, a escolha busca ampliar o diálogo com diferentes segmentos da sociedade e reunir quadros experientes na formulação de propostas para o país.

Papel de destaque na convenção do PSD

Rebelo participou da convenção nacional do PSD, realizada no domingo (26/7), em São Paulo, e discursou antes do próprio Caiado na cerimônia que oficializou a chapa presidencial — papel de destaque que antecipou o anúncio feito na quinta-feira (30/7). “É difícil você governar um país dividido, e eu sei que Caiado tem a capacidade de unir o Brasil em torno do que interessa, que é a volta do crescimento, que é valorizar o povo brasileiro e os investidores”, discursou o ex-deputado na ocasião.

Trajetória de cinco mandatos e passagem por quatro partidos

Natural de Viçosa, em Alagoas, Rebelo é escritor e jornalista e entrou para a política em 1991, como deputado federal. Antes disso, presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE) e participou da campanha das Diretas Já, movimento que pedia eleições diretas após 20 anos de ditadura militar. Na Câmara, somou cinco mandatos consecutivos, foi relator do Código Florestal brasileiro e presidiu a Casa entre 2005 e 2007. É autor da lei que instituiu 20 de novembro como o Dia Nacional de Zumbi dos Palmares. Ao longo da carreira, esteve filiado ao PCdoB por 40 anos e também passou por PSB, MDB e PDT.

Ministérios sob Lula e Dilma, e aproximação com a direita

Rebelo também tem histórico no Poder Executivo: foi secretário de Coordenação Política e de Relações Institucionais no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, no governo de Dilma Rousseff (PT), comandou os ministérios do Esporte, da Ciência, Tecnologia e Inovação, e da Defesa. Ao longo de 2024, ele se aproximou de Jair Bolsonaro e de lideranças da direita, chegando a ser elogiado publicamente pelo ex-presidente. Em 2025, depôs como testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, em processo sobre tentativa de golpe de Estado — durante o depoimento, o ministro do STF Alexandre de Moraes chegou a ameaçá-lo de prisão por desacato.

Semanas antes de aceitar o convite de Caiado, Rebelo ainda lutava na Justiça para manter sua própria pré-candidatura à Presidência pelo DC, após ser expulso e reintegrado ao partido em meio a uma disputa com Joaquim Barbosa pela cabeça de chapa. A campanha que ele passa a coordenar foi estruturada no início de julho, quando Caiado anunciou Kassab como vice em uma chapa inteiramente pelo PSD, sem coligações com outras legendas.

Azevêdo reforça a equipe na área internacional

A montagem da estrutura de campanha seguiu avançando em agosto. Em 6 de agosto, Caiado anunciou que o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, coordenará a área de relações internacionais e comércio exterior. Ao fazer o anúncio, Caiado criticou a condução do debate internacional pelas candidaturas que, segundo ele, representam a polarização política no país — sem citar adversários nominalmente — e destacou que Azevêdo representa “a antítese disso”.

Diplomata de carreira formado pelo Instituto Rio Branco e engenheiro elétrico pela Universidade de Brasília, Azevêdo comandou a OMC entre 2013 e 2020, foi o primeiro latino-americano a ocupar o cargo e, em 2017, foi reconduzido por consenso para um segundo mandato. Antes de chegar à direção-geral, representou o Brasil permanentemente na OMC e atuou como negociador-chefe do país em temas comerciais. Ele já vinha contribuindo com diretrizes para os setores de relações internacionais e comércio exterior nas semanas anteriores ao anúncio, com material encaminhado a Roberto Brant, ex-ministro da Previdência responsável pela coordenação-geral do plano de governo.

A equipe conta ainda com o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) na mobilização política. Brant afirmou que o programa considera um cenário de retomada de medidas protecionistas e de mudanças nas relações políticas, comerciais e econômicas entre os países.

Na pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (5/8), Caiado registrou 4% das intenções de voto no primeiro turno — mesmo percentual de julho —, numericamente empatado com Renan Santos (Missão) e atrás de Lula (PT), com 39%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. Em eventual segundo turno entre Lula e Caiado, o presidente aparece com 45% contra 37% do candidato do PSD.

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