Aldo Rebelo, ex-presidente da Câmara e ex-ministro de Lula e Dilma, foi anunciado nesta quinta-feira (30) como coordenador político da campanha presidencial de Ronaldo Caiado (PSD). O convite partiu do próprio candidato e do vice Gilberto Kassab, durante reunião em São Paulo com Heráclito Fortes.
Segundo a equipe de campanha, a escolha busca ampliar o diálogo com diferentes segmentos da sociedade e reunir quadros experientes na formulação de propostas para o país.
Papel de destaque na convenção do PSD
Rebelo participou da convenção nacional do PSD, realizada no último domingo, em São Paulo, e discursou antes do próprio Caiado na cerimônia que oficializou a chapa presidencial — papel de destaque que antecipou o anúncio desta quinta-feira. “É difícil você governar um país dividido, e eu sei que Caiado tem a capacidade de unir o Brasil em torno do que interessa, que é a volta do crescimento, que é valorizar o povo brasileiro e os investidores”, discursou o ex-deputado na ocasião.
Trajetória de cinco mandatos e passagem por quatro partidos
Natural de Viçosa, em Alagoas, Rebelo é escritor e jornalista e entrou para a política em 1991, como deputado federal. Antes disso, presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE) e participou da campanha das Diretas Já, movimento que pedia eleições diretas após 20 anos de ditadura militar. Na Câmara, somou cinco mandatos consecutivos, foi relator do Código Florestal brasileiro e presidiu a Casa entre 2005 e 2007. É autor da lei que instituiu 20 de novembro como o Dia Nacional de Zumbi dos Palmares. Ao longo da carreira, esteve filiado ao PCdoB por 40 anos e também passou por PSB, MDB e PDT.
Ministérios sob Lula e Dilma, e aproximação com a direita
Rebelo também tem histórico no Poder Executivo: foi secretário de Coordenação Política e de Relações Institucionais no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, no governo de Dilma Rousseff (PT), comandou os ministérios do Esporte, da Ciência, Tecnologia e Inovação, e da Defesa. Ao longo de 2024, ele se aproximou de Jair Bolsonaro e de lideranças da direita, chegando a ser elogiado publicamente pelo ex-presidente. Em 2025, depôs como testemunha de defesa do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, em processo sobre tentativa de golpe de Estado — durante o depoimento, o ministro do STF Alexandre de Moraes chegou a ameaçá-lo de prisão por desacato.
Semanas antes de aceitar o convite de Caiado, Rebelo ainda lutava na Justiça para manter sua própria pré-candidatura à Presidência pelo DC, após ser expulso e reintegrado ao partido em meio a uma disputa com Joaquim Barbosa pela cabeça de chapa. A campanha que ele passa a coordenar foi estruturada no início de julho, quando Caiado anunciou Kassab como vice em uma chapa inteiramente pelo PSD, sem coligações com outras legendas.
