Política

Trump obriga estrangeiros a deixar os EUA para pedir green card

Medida do USCIS encerra ajuste de status feito em solo americano e aperta o cerco às rotas legais de imigração
Imagem editorial com Donald Trump e mapa dos EUA, ilustrando a política de green card fora dos Estados Unidos

O governo Trump determinou, nesta sexta-feira (22), que estrangeiros interessados em obter o green card precisam deixar os Estados Unidos e fazer o pedido em seus países de origem, pelo Departamento de Estado.

A decisão foi anunciada pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) em memorando interno que instrui funcionários a avaliar caso a caso qualquer exceção à nova exigência.

Mais uma peça no cerco à imigração legal

A mudança encerra na prática o chamado ajuste de status, mecanismo que permitia ao imigrante já em solo americano converter um visto temporário em residência permanente sem precisar deixar o país. Agora, o processo passa a ser conduzido exclusivamente pelo Departamento de Estado, nos consulados dos países de origem.

O memorando do USCIS afirma que a nova política liberará recursos da agência para que ela possa se concentrar no processamento de outros casos. O órgão não especificou quais categorias de visto serão afetadas nem detalhou como funcionarão as exceções — apenas que serão analisadas individualmente quando uma medida extraordinária for considerada justificável.

A decisão é mais um capítulo na sequência de restrições imigratórias impostas por Donald Trump desde o retorno à Casa Branca. Em janeiro, o Departamento de Estado informou ter revogado mais de 100 mil vistos desde a posse de Trump, no início do ano anterior — uma das primeiras e mais abrangentes ações da nova gestão na área migratória.

Loteria do green card também está suspensa

A nova regra se soma à suspensão do Programa de Vistos de Imigração por Diversidade, o chamado DV Program ou loteria do green card, anunciada em dezembro. O programa oferecia até 50 mil vistos anuais a cidadãos de países com baixa representação entre os imigrantes nos EUA e era uma das principais vias de entrada legal para diversas nacionalidades, incluindo brasileiros.

A suspensão foi motivada pela revelação de que Claudio Manuel Neves Valente, autor do ataque a tiros na Universidade Brown, havia ingressado nos EUA em 2017 por meio do programa. Segundo a então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, ele obteve o green card após ser selecionado pela loteria.

Para brasileiros que vivem nos EUA com visto temporário ou em situação irregular, a nova exigência representa um risco adicional: sair do país para solicitar o green card expõe o requerente a eventuais bloqueios de reentrada e barreiras consulares, a depender do histórico imigratório e da situação documental de cada um.

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