Economia

ONU corta previsão de crescimento global para 2,5% em 2026

Crise no Oriente Médio reacende inflação e pressiona famílias e empresas no mundo todo
ONU, Oriente Médio e petróleo em colagem editorial sobre crescimento econômico global 2026

A Organização das Nações Unidas (ONU) revisou para baixo sua projeção de crescimento econômico global, estimando expansão de apenas 2,5% do PIB mundial em 2026 — ante 3,0% projetados para 2025. O relatório aponta a crise no Oriente Médio como fator central da deterioração do cenário.

A revisão, divulgada nesta terça-feira (19), representa um recuo de 0,2 ponto percentual em relação à previsão de janeiro e coloca o crescimento global abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.

Energia como vetor do choque global

O aumento dos preços da energia é apontado pela ONU como o principal mecanismo de transmissão do conflito para a economia mundial. Ganhos inesperados para o setor contrastam com a pressão crescente sobre famílias e empresas, dificultando o controle inflacionário pelos bancos centrais.

O aumento de custos já era antecipado: em abril, o Banco Mundial havia projetado alta de 24% nos preços de energia em 2026 como consequência direta do conflito no Oriente Médio, com o petróleo Brent podendo chegar a US$ 115 no pior cenário.

A ONU não está sozinha nas revisões: semanas antes, a Opep também cortou sua projeção de demanda global de petróleo para 2026, reconhecendo que o fechamento do Estreito de Ormuz havia inviabilizado seus planos de retomada de produção.

Inflação avança nas duas pontas

Nas economias desenvolvidas, a inflação deve subir de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026. O impacto é mais severo nos países em desenvolvimento, onde a taxa deve avançar de 4,2% para 5,2%.

A Ásia Ocidental registra a desaceleração mais expressiva: o crescimento econômico da região deve cair de 3,6% para apenas 1,4%, pressionado pelos danos à infraestrutura, ao comércio e ao turismo causados pelo conflito.

A Europa emerge como uma das economias mais expostas ao choque energético. A dependência de energia importada pressiona famílias e empresas: a ONU projeta desaceleração do crescimento da União Europeia de 1,5% para 1,1% em 2026 e, no Reino Unido, de 1,4% para apenas 0,7%.

Os Estados Unidos devem manter relativa resiliência, com crescimento projetado de 2,0% em 2026 — praticamente estável em relação a 2025 —, sustentados pela forte demanda doméstica e pelos investimentos em tecnologia.

China e Índia também sentem o impacto, mas com amortecedores distintos. Em Pequim, a diversificação da matriz energética, as reservas estratégicas e o apoio governamental ajudam a conter os efeitos: a projeção recuou de 5,0% para 4,6%. Já a Índia deve desacelerar de 7,5% para 6,4%.

Perspectivas para 2027

Para o próximo ano, a ONU projeta recuperação modesta, com crescimento global de 2,8%. A organização cita mercados de trabalho sólidos, demanda resiliente dos consumidores e investimentos impulsionados pela inteligência artificial como fatores de suporte à atividade econômica — mas avisa que o cenário permanece frágil enquanto o conflito no Oriente Médio persistir.