Economia

Lula leva Pix, minerais e tarifas como pauta ao encontro com Trump em Washington

Agenda preparada por quatro ministérios inclui defesa do sistema de pagamentos, redução de tarifas e disputa por reservas minerais
Lula e Trump: a agenda econômica bilateral em Washington

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja a Washington para seu primeiro encontro oficial com Donald Trump, marcado para esta quinta-feira (7/5). A equipe econômica embarca com três prioridades bem definidas — mesmo sem confirmação da Casa Branca sobre os temas a serem debatidos.

A pauta envolve a defesa do Pix contra investigações comerciais dos EUA, a negociação para reduzir tarifas sobre exportações brasileiras e o posicionamento sobre minerais críticos — setor em que o Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras.

Pix na mira do USTR

A defesa do sistema de pagamentos brasileiro ganhou dimensão diplomática depois que o USTR abriu uma investigação em julho de 2025, alegando que o Pix prejudica empresas americanas no setor de meios de pagamento. O argumento é que o Banco Central, ao criar, operar e regular o sistema simultaneamente, concede tratamento preferencial ao Pix em detrimento de concorrentes estrangeiros.

O Brasil respondeu em agosto daquele ano negando qualquer discriminação e citando o Google como exemplo de empresa americana que já utiliza a ferramenta. Mesmo assim, o Pix voltou à cena em março deste ano, mencionado três vezes no relatório anual do USTR que lista barreiras comerciais de mais de 60 países — em mais de 500 páginas.

Lula transformou o tema em bandeira política. O governo lançou campanha publicitária enquadrando a defesa do sistema como questão de soberania nacional. Especialistas apontam, contudo, que os EUA não têm jurisdição direta para agir contra o Pix — eventuais retaliações se dariam no campo comercial, com suspensão de benefícios e restrição de importações previstas na Lei de Comércio de 1974.

Exportações no menor nível desde 1997

Estimativas do MDIC indicam que 29% das exportações ao mercado americano continuam sujeitas a taxas adicionais. Dados da Amcham registram queda de 18,7% nas vendas brasileiras aos EUA no primeiro trimestre de 2026 — a menor participação americana desde 1997, equivalente a 9,5% das exportações totais. A equipe econômica mira segmentos estratégicos como máquinas industriais e revestimentos.

O cenário reflete anos de turbulência: em julho de 2025, os EUA impuseram tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros como resposta ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF — processo que Trump chamou de caça às bruxas. A relação bilateral só começou a se estabilizar após encontro em Nova York em setembro de 2025, com parte das tarifas retirada em novembro. Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte americana derrubou outra parcela das taxas, levando à adoção de uma alíquota linear de 15% sobre importações globais.

Minerais críticos: a disputa de fundo

O terceiro eixo reúne o maior potencial estratégico da negociação. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras — elementos essenciais para baterias elétricas, turbinas eólicas, chips e armamentos —, atrás apenas da China, que concentra 60% das reservas globais e 90% do refino.

A divergência é clara: Washington quer acesso facilitado às jazidas e licenciamento ambiental ágil; Brasília quer controle estatal e processamento local dos minérios, não mera exportação de matéria-prima. Uma proposta de memorando de entendimento enviada pelos EUA no início do ano ainda aguardava resposta brasileira em abril. Em paralelo, o governo Trump firmou acordo diretamente com o estado de Goiás — movimento que o Planalto trata como tentativa de contornar a política nacional em debate no Congresso.

Os americanos já avançaram na prática: a empresa Serra Verde — única mina de terras raras fora da Ásia — foi vendida à norte-americana USA Rare Earths por US$ 2,8 bilhões em abril, somando-se a um investimento anterior de US$ 565 milhões do DFC, braço do governo americano.

Na véspera da viagem, a Câmara aprovou com aval do Planalto o marco regulatório dos minerais críticos — legislação que Lula pretendia usar como trunfo diplomático na mesa com Trump, condicionando incentivos ao processamento dos minérios dentro do Brasil. No encontro que se seguiu, Lula comunicou a Trump que minerais críticos são questão de soberania nacional. Já sobre as tarifas, um grupo de trabalho com prazo de 30 dias foi criado, interpretado por Brasília como garantia de ao menos um mês sem novas sanções comerciais.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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