Economia

Inadimplência bate 12,3% e governo lança Desenrola 2.0 com FGTS

Programa permite usar até 20% do fundo de garantia para quitar dívidas com descontos de até 90%
Presidente Lula representando Desenrola 2.0 FGTS para renegociação de dívidas

O percentual de famílias brasileiras inadimplentes chegou a 12,3% em março de 2026, o maior nível em três anos, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Ao mesmo tempo, o endividamento total das famílias bateu recorde histórico e alcançou 80,4% — ante 77,1% em março de 2025. Para conter o avanço, o governo federal lançou o Desenrola 2.0, programa de renegociação que pela primeira vez permite o uso do FGTS.

Perfil do endividamento no Brasil

A pesquisa da CNC, realizada com cerca de 18 mil consumidores nas capitais dos estados e no Distrito Federal, mostra que 29,6% das famílias tinham contas em atraso em março — acima dos 28,6% registrados um ano antes. O atraso médio no pagamento chegou a 65,1 dias.

Em média, as famílias comprometem 29,6% da renda mensal com dívidas e levam cerca de 7,2 meses para quitá-las — um ciclo prolongado que a CNC aponta como marca estrutural do endividamento no país.

O cartão de crédito segue como principal fonte de endividamento, responsável por 84,9% das dívidas — ligeiramente abaixo dos 86% registrados em março de 2023. O movimento mais preocupante está no crédito pessoal, cuja participação saltou de 8,6% para 12,6% no mesmo período. O crédito imobiliário subiu de 8,7% para 9,7%, e o financiamento de veículos avançou de 8,7% para 9,1%.

Como funciona o Desenrola 2.0

O programa permite renegociação com descontos de até 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. O diferencial inédito em relação à primeira edição é a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS — no mínimo R$ 1 mil — diretamente no pagamento dos débitos, com o valor transferido diretamente ao banco credor.

Voltado a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos, o programa cobre dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fies. O governo estima liberar até R$ 8,2 bilhões para os participantes. Quem aderir ficará impedido de realizar apostas online por um ano — restrição que reflete o papel das bets no ciclo de endividamento crônico no país.

A primeira edição do Desenrola, lançada em 2023, renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas de 15 milhões de pessoas e retirou cerca de 10 milhões de registros negativos vinculados a débitos de até R$ 100. O governo reconhece, porém, que o efeito perdeu força ao longo do tempo.

Quando o recorde de endividamento foi divulgado em abril, o presidente Lula já havia se reunido com o ministro da Fazenda para estruturar um programa de refinanciamento com descontos expressivos — o embrião do que se tornaria o Desenrola 2.0.

A trajetória contínua de alta — de 11,5% em março de 2023 para 12,3% em março de 2026 — expõe os limites de iniciativas pontuais. Especialistas alertam que o programa trata o sintoma sem atacar as causas estruturais: segundo análise da Unicamp, o Desenrola 2.0 cria uma “cultura de renegociação” sem romper o ciclo que mantém famílias endividadas geração após geração.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Bancos aderem ao Desenrola 2.0, mas nenhum confirma data para renegociar

CMN reduz juros do Reforma Casa Brasil e amplia prazo para 72 meses

Petrobras lucra R$ 32,7 bi no 1° tri, mas resultado cai 7,2%

Lula leva Pix, minerais e tarifas como pauta ao encontro com Trump em Washington