A Ypê recorreu nesta sexta-feira (8) à Anvisa contra a resolução que ordenou o recolhimento de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes com lote terminado em 1. Com o recurso, a proibição de fabricar e vender os produtos ficou automaticamente suspensa.
A agência confirmou a suspensão, mas manteve a avaliação de risco sanitário. A recomendação oficial segue inalterada: não utilize os produtos afetados e entre em contato com o SAC da Ypê para troca, devolução ou ressarcimento.
Recurso com efeito suspensivo automático
A base legal usada pela Ypê é o artigo 17 da RDC 266/2019, que prevê efeito suspensivo automático para recursos administrativos apresentados contra resoluções da agência. Com isso, as categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes voltam a poder ser fabricadas e comercializadas enquanto o caso não for julgado.
O recurso deverá ser apreciado nos próximos dias pela Diretoria Colegiada da Anvisa, instância máxima da agência para decisões dessa natureza.
A medida contestada foi publicada na última quinta-feira (7), quando a Anvisa determinou o recolhimento de dezenas de produtos Ypê após inspeção identificar falhas em etapas críticas do processo produtivo na fábrica de Amparo (SP).
Histórico de contaminação pesa na avaliação
A fiscalização atual tem raízes em novembro de 2025, quando a Ypê realizou um recolhimento voluntário cautelar após identificar a bactéria Pseudomonas aeruginosa em lava-roupas líquidos. A Anvisa classificou esse registro como ‘histórico de contaminação microbiológica’ — fator que motivou nova inspeção na unidade.
A vistoria de 2026 ocorreu entre 27 e 30 de abril, em ação conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas e a Vigilância Sanitária municipal de Amparo. Os fiscais avaliaram principalmente as linhas de produtos líquidos fabricados na unidade da Química Amparo, no interior paulista.
Anvisa mantém alerta mesmo com suspensão jurídica
A suspensão dos efeitos da resolução não alterou a posição técnica da Anvisa. A agência afirmou que mantém sua avaliação sobre o risco sanitário identificado na inspeção e que a orientação ao consumidor permanece inalterada.
Mesmo com a paralisação temporária do recolhimento, a Anvisa mantém a recomendação de que consumidores não utilizem os produtos — orientação que, desde quinta-feira, vem gerando apreensão em quem encontrou itens dos lotes afetados em casa.
A agência reitera que quem tiver produtos dos lotes afetados deve contatar o SAC da Ypê para obter orientações sobre troca, devolução ou ressarcimento — canal que, na véspera do recurso, registrou sobrecarga e ficou inacessível para milhares de consumidores.
A fabricante afirmou que o recurso serve para reforçar os compromissos assumidos no seu Plano de Ação e Conformidade, com a apresentação de subsídios técnicos adicionais à resolução contestada. A Ypê invocou seu histórico de 75 anos e reafirmou compromisso com qualidade e transparência.
