Saúde

Consumidores temem risco à saúde após Anvisa recolher produtos Ypê

Moradora alérgica questiona o que fazer com itens em casa; empresa classifica medida como arbitrária e vai recorrer
Recolhimento de produtos Ypê: Anvisa age contra contaminação microbiológica

A determinação da Anvisa para recolher dezenas de produtos da marca Ypê por risco de contaminação microbiológica surpreendeu consumidores nesta quinta-feira (7).

Em Campinas, uma aposentada alérgica relatou apreensão ao descobrir que tinha itens da linha afetada em casa. “Ainda bem que não usei”, comentou, questionando como proceder e o que a empresa fará a respeito.

O recolhimento abrange lava-louças, lava-roupas e desinfetantes de lotes cuja numeração final é o algarismo 1.

Como identificar se o seu produto está no lote afetado

Para verificar se um item é parte do recolhimento, é preciso localizar o código de lote na embalagem — gravado geralmente na base, próximo à tampa ou abaixo do rótulo, acompanhado das datas de fabricação e validade. A indicação aparece como “Lote:” ou “L:”.

Se o último algarismo do código for o número 1, o produto está entre os recolhidos e deve ser retirado de uso imediatamente, conforme orientação da agência.

A medida foi formalizada na Resolução 1.834/2026, publicada após inspeção na fábrica de Amparo (SP) que constatou descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo — decisão que também suspendeu a fabricação e a distribuição de toda a linha afetada.

Segundo a Anvisa, as falhas nos sistemas de garantia de qualidade, produção e controle comprometem as Boas Práticas de Fabricação e indicam risco de contaminação por microrganismos patogênicos — como bactérias, fungos e vírus — capazes de causar doenças ou irritações em quem entrar em contato com os produtos.

O caso tem raízes em novembro de 2025, quando a própria Ypê identificou a bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de lava-roupas e fez um recolhimento voluntário focado especialmente em imunossuprimidos — grupo que inclui pacientes oncológicos e transplantados.

Ypê contesta a medida, mas consumidor enfrenta obstáculos

A empresa reagiu com nota de repúdio, classificando a decisão como “arbitrária e desproporcional” e anunciando recurso. A Ypê apresentou laudos de análises independentes para sustentar que seus produtos são “totalmente seguros e adequados para consumo” — posição que coloca a marca em rota de colisão direta com a agência reguladora.

Para quem deseja devolver os itens, a orientação oficial é contatar o SAC da empresa. O problema é que o número 0800 da Ypê ficou inacessível logo após o anúncio do recolhimento, com chamadas que não completam ou caem em segundos — dificultando justamente o caminho indicado pela Anvisa.

Enquanto a disputa regulatória avança, a recomendação da agência permanece em vigor: suspender imediatamente o uso dos produtos dos lotes afetados e aguardar o fabricante informar como proceder com a devolução.

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