O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou nesta quinta-feira (7) que Donald Trump não mencionou o PIX durante o encontro de quase três horas na Casa Branca, em Washington.
Em tom de brincadeira, Lula disse esperar que o líder americano desenvolva um dia um sistema de pagamentos instantâneos como o brasileiro. “Eu espero que um dia ele ainda vá fazer um PIX, porque muitas empresas americanas já fazem”, afirmou após a reunião.
A declaração veio em resposta a jornalistas que questionaram se os dois presidentes debateram as investidas norte-americanas contra o PIX. Lula confirmou que o tema simplesmente não entrou na pauta.
O silêncio de Trump contrasta com a ofensiva que a gestão americana vinha promovendo contra o sistema desde julho de 2025, quando o governo dos EUA abriu uma investigação comercial — a pedido do próprio presidente — sobre práticas consideradas “desleais” no comércio digital bilateral.
O documento oficial do processo não citou o PIX diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo os oferecidos pelo Estado brasileiro. O PIX é o único sistema governamental com essa finalidade no país.
“O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, afirmou o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) à época.
Em abril deste ano, um relatório da Casa Branca voltou a apontar o PIX como prejudicial a gigantes do setor, como Visa e Mastercard. O PIX estava entre as prioridades explícitas da delegação brasileira para o encontro, o que torna ainda mais revelador o fato de Trump não ter tocado no assunto.
Para especialistas, o sucesso do PIX e seu papel como vitrine tecnológica do Brasil estariam sendo vistos como uma “ameaça” ao setor financeiro americano — e não apenas pela concorrência direta com as grandes bandeiras de cartão.
Os receios do governo Trump também estariam ligados ao avanço do PIX Internacional e às discussões dentro do Brics sobre alternativas ao uso do dólar no comércio global. Analistas ressaltam, porém, que não há razões consistentes para questionar tecnicamente o serviço de pagamentos.
O embate com as big techs americanas de pagamento e a concorrência com as bandeiras de cartão de crédito dos EUA ajudariam a explicar a ofensiva, segundo especialistas — que, no entanto, afirmam não ver justificativa técnica para as críticas ao sistema.
A declaração de Lula vem após o presidente ter chegado a Washington repetindo publicamente que “ninguém” faria o Brasil mudar o PIX — o que torna ainda mais significativo o silêncio de Trump sobre o tema durante as quase três horas de reunião.
