Economia

Desenrola 2.0 alivia dívidas, mas não enfrenta raiz do endividamento crônico

Histórias reais mostram que limpar o nome sem mudar hábitos pode manter o brasileiro no ciclo de dívidas
Logos de bancos brasileiros em composição editorial que reflete o desafio de como sair do endividamento crônico

O Desenrola 2.0 chegou prometendo renegociar dívidas com descontos de até 90% para brasileiros que ganham até R$ 8.105 por mês. Lançado pelo governo federal na segunda-feira (4), o programa desperta esperança — mas pode não ser suficiente para quem está preso no ciclo de endividamento crônico.

Para especialistas, os efeitos do novo Desenrola tendem a ser imediatos, não estruturais. O programa alivia o sintoma — a dívida acumulada — sem enfrentar as causas que alimentam a inadimplência no país.

O ciclo que o Desenrola não quebra

Em março de 2026, 82,8 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado e o comprometimento de renda com dívidas atingiu 49,9% — o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2005. Foi nesse cenário que o Desenrola 2.0 foi lançado.

A planejadora financeira Myrian Lund aponta o diagnóstico: “O problema da dívida não está apenas na taxa de juros. Ele vem do excesso de crédito disponível para a população.” Para ela, sem ações de educação financeira, os resultados do programa serão pouco duradouros.

Outra limitação é técnica: os bancos têm até 30 dias para retirar o nome de devedores das listas de inadimplência, mas a desnegativação não cancela o débito. O consumidor sai do cadastro negativo e ainda continua devendo.

Pesquisadores já haviam alertado para esse risco. O Desenrola 2.0 cria uma “cultura de renegociação” ao agir nos sintomas sem tocar na estrutura de crédito que alimenta o endividamento crônico, segundo análise da Unicamp.

Wagner Pagliato, coordenador de ciências contábeis da Unicid, reforça que o endividamento crônico costuma estar ligado à pressão social para manter um padrão de vida acima da renda. “A dívida deixa de ser apenas uma questão financeira e passa a envolver comportamento, hábitos e saúde emocional”, afirma.

Quando ganhar na loteria não resolve

O empresário Delano Zonta conhece bem a armadilha. Após misturar finanças pessoais e da empresa, acumulou mais de R$ 230 mil em dívidas — cartão de crédito, cheque especial e empréstimos para cobrir outros empréstimos. Com apenas R$ 42 na conta, ganhou R$ 35 mil na quina da Mega-Sena.

As contas zeradas, ainda devia mais de R$ 216 mil. “Aquele foi um dos piores dias da minha vida, com um sentimento enorme de fracasso”, conta. A virada veio naquela noite: Zonta estudou o sistema bancário, reorganizou as dívidas e, com apoio da esposa, levou quase quatro anos para quitar tudo. Hoje é planejador financeiro.

A experiência ilustra o que especialistas recomendam: antes de renegociar, fazer um diagnóstico financeiro completo e mudar padrões de consumo. “O devedor precisa fazer o dever de casa. É necessário fazer uma economia de guerra e tentar juntar o máximo possível para liquidar a dívida de uma vez”, resume Myrian Lund.

A planejadora Mônica Cardoso alerta para outro risco: resolver uma dívida sem mudar comportamento pode gerar outra em breve. “É preciso cuidado para não se endividar de novo depois de um ou dois anos”, diz. O endividamento por fatores emocionais — como em relacionamentos que viram armadilhas financeiras ou após fraudes e imprevistos — também exige atenção redobrada na hora de renegociar.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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