Economia

Copom mantém corte de juros mesmo com inflação distante da meta

Ata do BC revela que guerra no Oriente Médio elevou expectativas, mas não impediu nova redução da Selic para 14,5% ao ano
Banco Central e mapa do Oriente Médio: Copom corta juros com inflação acima da meta

O Banco Central divulgou nesta terça-feira (5) a ata da última reunião do Copom e confirmou: mesmo diante da alta nas expectativas de inflação provocada pela guerra no Oriente Médio, o comitê manteve o ciclo de corte de juros.

A Selic foi reduzida de 14,75% para 14,5% ao ano — segundo corte consecutivo —, e a decisão foi avaliada pelo BC como “mais adequada” diante do cenário atual.

Por que o BC cortou mesmo com inflação pressionada?

A justificativa do Copom está na trajetória anterior da política monetária. A taxa básica ficou em 15% ao ano — o nível mais alto em 20 anos — até março de 2026, gerando desaceleração da economia brasileira por um período prolongado.

Segundo o BC, esse ciclo restritivo criou as condições para que a redução de juros seja compatível com a convergência das expectativas de inflação nos próximos anos — mesmo que o cenário externo tenha piorado com o avanço do conflito.

A ata afirma que os “eventos recentes não impediriam o prosseguimento” do ciclo de afrouxamento. O Focus de abril já havia registrado a projeção de inflação escalando a 4,80% sob pressão do conflito no Oriente Médio — o mesmo quadro de expectativas deterioradas que o Copom pesou antes de decidir pelo corte de 0,25 ponto percentual.

O Banco Central opera com base no sistema de metas de inflação: quando as projeções estão alinhadas às metas, há espaço para baixar a Selic; quando estão acima, o Copom tende a manter ou elevar os juros. Neste caso, o comitê interpretou que o espaço ainda existe — embora reconhecidamente mais estreito do que no início do ciclo.

Mercado projeta Selic em 13% no fim do ano, mas BC não sinaliza ritmo

A ata não trouxe indicação sobre os próximos passos. O BC não sinalizou se haverá novo corte na próxima reunião do Copom nem qual seria o ritmo a partir de agora — postura cautelosa diante de um ambiente externo ainda instável.

Ainda assim, economistas do mercado financeiro projetam que a Selic encerre 2026 em 13% ao ano, o que implicaria novos cortes ao longo do segundo semestre, mesmo com a inflação se distanciando da meta central.

Ainda em abril, o diretor de Política Monetária do BC havia alertado que a guerra entre EUA e Irã poderia fechar a janela para novos cortes — risco que a ata desta semana reconhece, mas que o Copom avaliou como ainda compatível com o ciclo de afrouxamento.

Mesmo após o corte, o Brasil manteve a segunda posição no ranking global de maiores juros reais, com taxa efetiva de 9,33% ao ano — o que, na avaliação do BC, preserva o caráter restritivo da política monetária mesmo em meio à trajetória de queda da Selic.

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