Economia

Galípolo admite falha no Copom e rejeita papel de produzir consenso no mercado

Presidente do BC reconhece ruído na comunicação do corte da Selic, mas defende que antecipar decisões futuras não é função da autoridade monetária
Galípolo frente à falha comunicação Copom em contexto do Banco Central e política monetária

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, admitiu nesta quinta-feira (25) que a comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) falhou ao explicar a decisão de manter o ciclo de corte da Selic mesmo diante da piora das perspectivas de inflação.

A reação negativa do mercado veio após a ata do Copom, divulgada na terça-feira (23), que sinalizou que o BC não interromperia os cortes mesmo com as projeções de inflação piorando. A leitura predominante foi de que o Banco Central estaria sendo mais leniente no combate à inflação.

“A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, é absolutamente minha”, disse Galípolo.

A polêmica teve início com a ata do Copom divulgada na terça (23), que revelou que o BC optou por manter o ciclo de cortes mesmo com projeções de inflação piores do que o esperado — o documento que Galípolo veio a público explicar nesta quinta.

O BC justificou a postura com base nas “melhores práticas” de política monetária, que recomendam não reagir integralmente a variações de preços causadas por choques de oferta. O choque em questão era a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre o petróleo global.

Para Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, o ponto central da ata foi o reconhecimento de que “o balanço de riscos agora apresenta assimetria altista” — algo ausente no comunicado original da decisão. Ele interpreta a mudança como tentativa de adotar um tom mais duro, mas pondera que a ata também traz sinais em direção oposta, gerando o ruído.

Por que o Copom manteve os cortes

Na avaliação do Comitê, interromper o ciclo de queda da Selic naquele momento equivaleria a um aperto excessivo da política monetária — desacelerando a economia além do necessário para controlar a inflação no longo prazo. O Copom reduziu a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano de forma unânime, citando o recuo do petróleo após o acordo de paz entre EUA e Irã.

Horas antes da coletiva, o diretor de Política Econômica Paulo Picchetti já havia defendido publicamente a mesma decisão, argumentando que nenhum nível de juros teria reaberto o Estreito de Ormuz.

Durante a apresentação do Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, Galípolo mapeou dois tipos de pressão sobre o Banco Central. A primeira vem de setores da economia, da sociedade e da política: o desgaste acumulado com a Selic rodando centenas de pontos-base acima da taxa neutra. “É protocolar que a gente tenha críticas de setores que se contraponham a essa taxa”, reconheceu.

A segunda pressão é a demanda por forward guidance — sinalizações antecipadas sobre os próximos passos da política monetária. Galípolo foi taxativo ao rejeitar essa expectativa: “Nenhum outro banco central está fazendo isso, e nem a literatura recomenda essa prática justamente por causa do ambiente de incerteza.”

Para o presidente do BC, antecipar decisões futuras reduziria a eficácia da política de juros. Ele fez questão de separar os conceitos: melhorar a comunicação é legítimo e necessário, mas não se confunde com comprometer-se antecipadamente com uma trajetória de taxas. “Uma coisa não pode ser confundida com a outra”, pontuou.

Ao encerrar, Galípolo reforçou que a função do Banco Central não é satisfazer todas as correntes de opinião do mercado financeiro — e que o ruído gerado pela ata, por mais que seja de responsabilidade sua, não altera a lógica da decisão tomada pelo Copom.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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