O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (5) e deve anunciar o quarto corte seguido na Selic, de 14,25% para 14% ao ano, segundo a maioria das projeções do mercado financeiro. O anúncio sai após as 18h.
Confirmado, o novo patamar será o menor da taxa básica de juros desde março de 2025 — pouco mais de um ano atrás. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, com impacto mais forte sobre a população de baixa renda.
Guerra no Oriente Médio e preço do petróleo
A expectativa de corte se mantém mesmo com a retomada do conflito no Oriente Médio, que pressionou o preço do petróleo internacional e acende o alerta para um possível repasse aos combustíveis no Brasil — canal direto de contaminação da inflação. Neste domingo (2), porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu novas rodadas de negociação com o Irã, movimento que ajudou a aliviar parte da tensão nos mercados.
A expectativa da decisão já movia outros mercados antes mesmo da reunião do Copom: o dólar recuou para cerca de R$ 5,07 na segunda-feira, enquanto investidores precificavam o corte de juros e acompanhavam os sinais de trégua entre Washington e Teerã, como mostrou o Tropiquim em matéria sobre o câmbio.
Como o Banco Central decide os juros
Para calibrar a Selic, o Copom segue o sistema de metas de inflação: quando as projeções estão alinhadas ao objetivo, o colegiado tem espaço para reduzir os juros; quando ficam acima, tende a manter ou elevar a taxa. Desde o início de 2025, vigora o modelo de meta contínua, fixado em 3%, considerado cumprido se a inflação variar entre 1,5% e 4,5% ao ano.
O reforço para o corte veio também do Boletim Focus, que na segunda-feira (3) registrou a quinta redução seguida nas estimativas de inflação para 2026 — movimento que levou parte do mercado a apostar em um afrouxamento ainda maior da Selic ao longo do ano, segundo levantamento do Tropiquim.
Cautela apesar do corte
O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, avalia que o cenário atual permite dar seguimento ao ciclo gradual de redução dos juros nesta reunião, mesmo com as estimativas de inflação do mercado ainda acima da meta central neste ano e no próximo. Para ele, porém, o Copom deve adotar cautela na comunicação e evitar comprometimento com os próximos passos da política monetária.
Já o economista do Santander Marco Antonio Caruso destaca que os dados recentes de inflação reforçam a decisão: o IPCA-15 de julho “surpreendeu significativamente para baixo”, com composição mais benigna e sinais encorajadores nos indicadores de núcleo acompanhados de perto pelo Banco Central.